Parte 3 - A Filosofia do Existencialismo-VII - O Significado do Sem SentidosteemCreated with Sketch.

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A Dialética da Libertação: Anarquismo, Existencialismo e Descentralismo
Parte 3 - A Filosofia do Existencialismo
VII - O Significado do Sem Sentido

"Eu Ago, logo Sou" - charlie777pt

1 - Introdução


"Há algum que tenha a chave da porta do ser, que não tem porta."
"E me possa abrir com razões da inteligência do mundo."
- Fernando Pessoa em Poesias de Álvaro Campos

É inegável que o existencialismo está completamente vivo e incorporado nas nossas vidas, na filosofia e na sociologia, na psicologia e psiquiatria, na psicanálise e nas terapias humanístico-existenciais, na literatura e nas artes visuais, que foi estabelecido durante a segunda metade do século passado e gerou muitas extensões até aos dias de hoje.
Parece que o movimento existencialista desapareceu das notícias e da grande media impressa, mas está a ser ressuscitado pela atual inquietação e incerteza social, para as quais a política atual não tem respostas sobre o futuro, porque foram os políticos que criaram esta realidade cancerígena.

"Quando não somos mais capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos." - Viktor E. Frankl, em Busca do homem pelo significado

Quando os cidadãos sentem que a lei não é aplicada aos políticos poderosos e aos crimes da nação, como um assassinato da ética, isso cria descrença geral na igualdade da Justiça, porque a democracia representativa não é mais o governo do povo.
A política está a perder espaço nos jornais, TV e nos media sociais, porque ela é irrelevante para o cidadão comum, que é tratado como um objeto, ou um macaco treinado, e não um ser humano, mostrando que a sociedade pseudo-democrática nunca mudou, está apenas a ficar muito pior.
Os personagens das classes privilegiadas, como sempre na História, têm uma abordagem superficial da realidade e da verdade, sempre criando ficções de falsas narrativas de medo, para eleger seus palhaços fascistas de direita, casados ​​com o mundo corporativo.
O medo é a base do ódio, uma doença humana funcionando como uma venda nos impede de procurar a verdade, porque ela só pode ser vista aos olhos do Amor.

"Basta que um homem odeie outro para que o ódio ganhe pouco a pouco a humanidade inteira" - Jean-Paul Sartre

2 - Existencialismo: O Significado do Sem Sentido


"Que sei eu do que sei, eu que não sei o que sou" - Fernando Pessoa in Poetry of Álvaro Campos

A liberdade vem da escravidão da autodisciplina sobre a nossa responsabilidade, mas um ser livre é simultaneamente o sujeito da libertação, criando um paradigma paradoxal sem sentido da realidade, onde o indivíduo faz uma tentativa para construir um sentido para a existência.

O Existencialismo na perspectiva antropológica, vê os processos históricos como uma fenomenologia social, numa série de Totalizações (equilíbrios), e Destotalizações (caos ou instabilidade), numa diacronia de Retotalizações da Existência pela interação das Essências das pessoas.
As pessoas sofrem Tensões e Distensões, com Angústia existencial, como um subproduto de nossa dialética interna entre o latente (não observável), a consciência e a experiência, e o manifestado (observável) nos comportamentos mútuos dos encontros entre os seres humanos.
Cada ato consciente de uma pessoa é da sua total responsabilidade, com base na sua liberdade de escolha, que transforma a sua Essência, mas também afeta o mundo á sua volta, sendo irreversível. e até mesmo Sartre afirmou que esta opção também pode ser um absurdo.

"Não sabemos o que queremos e, no entanto, somos responsáveis ​​pelo que somos - esse é o fato." Jean-Paul Sartre

Os Existencialistas vêem a Angústia existencial, o desespero, ou a ansiedade, como os principais sinais do absurdo de uma vida sem sentido, e que nasce no ato da escolha e pela responsabilidade como o contraponto da liberdade.
Este sofrimento da Angústia existencial é como uma consequência normal da Existência marcada pela decadência e pela morte, com sentimentos de desprendimento, isolamento e falta de sentido, que nos podem levar positivamente a um tipo de consciência nova para enriquecer a nossa experiência, como uma tentativa do sujeito de construir um significado para sua Existência.

Como Heidegger percebeu, a ansiedade também pode ser a génese do sentimento de um estado de espírito libertador, com sensações interiores de um estado de paz, quando podemos sentir nosso verdadeiro e autêntico Eu a florescer na realidade.
A ansiedade da falta de sentido e do nada, pode ser o combustível para transformar a nossa Essência para uma vida significativa e plena.

"Não sou Nada"
"Nunca serei nada"
"Não posso querer ser nada"
"Á parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"
- Fernando Pessoa em Poesias de Álvaro Campos

Para subir as escadas dos níveis de consciência, devemos encarar que temos que desmascarar a sociedade materialista baseada na posse material e na competição como base ideológica para a vontade de poder inculcada pela nossa educação, como uma maneira para alcançar uma vida significativa.

3 - Faça sentido na vida


Nós fazemos o sentido da vida.
A vida não tem sentido e não há propósito para viver.
A minha citação inicial neste post pode ser melhorada com - "Eu ajo (Existência), portanto eu sou (Essência)."
O conceito mais difícil de entender desde que nascemos é que a ação precede o pensamento e não o contrário.
Piaget mostrou o mesmo em sua psicologia genética que é a ação que estrutura a inteligência das crianças com os estados diferenciais de percepção motora sensorial.
É em nossas ações e na nossa vontade, que tentamos dar sentido ao mundo quando agimos na Existência para transformar a Essência do nosso Ser.

"Entre Estímulo e Resposta há um espaço. Nesse espaço está o nosso poder de escolher a nossa resposta. Na nossa resposta está o nosso crescimento e a nossa liberdade" - Viktor E. Frankl

Schopenhauer disse que o mundo é apenas uma representação de nossa própria vontade, ou seja, quanto mais você se conhece (no consciente e escavando no subconsciente), mais os eventos da realidade ao seu redor parecem ser um produto do seu controle da vontade exercida sobre a Realidade.
Liberdade significa consciência humana no existencialismo, e quando realizamos os nossos sonhos, isso permite o uso mais livre possível de nosso raciocínio, mas que sempre começa a total responsabilidade de agir na realidade.

"Não há caminho traçado para levar o homem à sua salvação; ele deve constantemente inventar o seu próprio caminho. Mas, para inventá-lo, ele é livre, responsável, sem desculpa, e toda esperança está nele." - Jean-Paul Sartre

Certos poderes sobre nossos atos vêm do desejo da essência da liberdade na autoconsciência, com a compreensão necessária para superar as forças da realidade, que nunca serão totalmente domadas.
O ódio e a exclusão de mão dada com a intolerância, são ferramentas de guerra, que estão a substituir a paz e a inclusão por um mundo pacífico, que temos que ajudar a construir com introspecção, autoconsciência e insights para mudar nosso Eu interior, sob o guarda-chuva do amor pelos outros, para os conseguir compreender.

"Eu que posso ficar comigo e com meus eus de mim" - Fernando Pessoa

Existencialismo, Anarquismo, Individualismo ou Descentralismo são filosofias que são amigas da liberdade como sabedoria para a luta pela liberdade individual e coletiva, talvez uma espécie de absurdo para dar significado ao sentido de nossa vida na Existência.

Vídeos:

Como Apreciar Tempos de Dificuldade - com legendas em português

O que é uma crise existencial? - legendas em português

A versão longa
Existentialism: Nietzsche Dostoevsky & Kierkegaard

A Dialética da Libertação: Anarquismo, Existencialismo e Descentralismo.
Artigos publicados:

I - Anarquismo
II - Existencialismo
Próximos posts da Série:
II - Existencialismo(Cont.)
  • O que é o Existencialismo?(Cont
    • Parte 3 - A Filosofia do Existencialismo : VII - Os Jogadores e os Tempos
  • Os "Existencialistas"
    • Parte 1 - Gabriel Marcel - o Neo-socrático
    • Parte 2 - Jean-Paul Sartre - o Homem do Século XX
    • Parte 3 - Simone de Beauvoir - o Castor
    • Parte 4 - Albert Camus - o Absurdista
    • Parte 5 - Merleau-Ponty - O Humanista do Existencialismo
  • Humanismo e Existencialismo
    • Parte 1 - O Medo da Liberdade de Erich Fromm
  • Existencialismo e Anarquismo
  • O Futuro: Pós-Humanismo, Transumanismo e Inumanismo
III - Descentralismo
  • O que é o Descentralismo?
  • A Filosofia do Descentralismo
  • Blockchain e Descentralização
  • Anarquismo, Existencialismo e Descentralismo
IV - A Dialética da Auto-Libertação
  • O Congresso da Dialética da Libertação
  • Psicadelismo e movimentos Libertários e Artísticos
  • O Budismo Zen de Alan Watts
  • Psicanálise e existencialismo
  • O movimento antipsiquiátrico
  • Anarquismo, Existencialismo, Descentralismo e Auto-Libertação
V - Conclusões e Epílogo
Referências:
- charlie777pt on Steemit:
A Realidade Social : Violência, Poder e Mudança
Colectivismo vs. Individualismo
Índice do Capítulo 1 - Anarquismo - desta série - Parte 1 desta Série
Os Biotas sonham com uma cidade blockchain?

Livros:
Oizerman, Teodor.O Existencialismo e a Sociedade. Em: Oizerman, Teodor; Sève, Lucien; Gedoe, Andreas, Problemas Filosóficos.2a edição, Lisboa, Prelo, 1974.
Sarah Bakewell, At the Existentialist Café: Freedom, Being, and Apricot Cocktails with with Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Albert Camus, Martin Heidegger, Maurice Merleau-Ponty, and Others
Levy, Bernard-Henry , O Século de Sartre,Quetzal Editores (2000)
Jacob Golomb, In Search of Authenticity - Existentialism From Kierkegaard to Camus (1995)
Herbert Marcuse, One-Dimensional Man: Studies in the Ideology of Advanced Industrial Society
Louis Sass, Madness and Modernism, Insanity in the light of modern art, literature, and thought (revised edition)
Hubert L. Dreyfus and Mark A. Wrathall, A Companion to Phenomenology and Existentialism (2006)
Charles Eisenstein, Ascent of Humanity
Walter Kaufmann, Existentialism from Dostoevsky to Sartre (1956)
Herbert Read, Existentialism, Marxism and Anarchism (1949 )
Martin Heidegger, Letter on "Humanism" (1947)
Friedrich Nietzsche, The Will to Power (1968)
Jean-Paul Sartre, Existentialism And Human Emotions
Jean-Paul Sartre, O Existencialismo é um Humanismo
Maurice Merleau-Ponty, Sense and Non-Sense
Michel Foucault, Power Knowledge Selected Interviews and Other Writings 1972-1977
Erich Fromm, Escape From Freedom. New York: Henry Holt, (1941)
Erich Fromm, Man for Himself. 1986
Gabriel Marcel, Being and Having: an existentialist diary
Maurice Merleau-Ponty, The Visible and The Invisible
Paul Ricoeur, Hermeneutics and the Human Sciences. Essays on Language, Action and Interpretation
Brigite Cardoso e cunha, Psicanálise e estruturalismo (1979)
Paul Watzlawick, How Real is Reality?
G. Deleuze and F. Guattari,
Anti-Oedipus: Capitalism and Schizophrenia
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Peço desculpas por não estar tão participativo. As demandas da vida e o Imaginário Virtual vem tomando meu tempo e ideias. Mesmo assim não deixo de passar aqui para ler e aprender com seus textos.

Acho que caminhamos dialogando muito de encontro entre nossas fundamentacoes doutrinárias. Mesmo que me falte ainda bastante para discutir em um nível maior. Mas como sou curioso e corajoso, trago minhas interpretações, e aqui é o local que mais aprendo em todas as redes sociais virtuais.

Nessa vou abordar pelo ângulo da linguagem, sabe que eu gosto, e é onde sei o que pouco sei. Não me estranha seu foco ultimamente no existencialismo, e fico feliz por isso.

Existir em um real cada vez mais prazeroso ao isolamento social, ao mesmo tempo que é um prazer fluido, rápido e nosso organismo em busca de conforto quer cada vez mais. Traz esse vazio existencial, em que a angústia do existir não encontra significados em palavras para exprimir essa sensação. Cada vez mais somos seres que falam menos, e preenchidos de informações cada vez maiores do meio, seres da massa.

Só o diálogo ameniza o poder do imaginario devorador de almas, ou nos restará cinzas de dor e morte. Morte em vida, morte de um social inalcançável. Morte de um social insuportável. Morte das palavras vivas, dotadas de sentimento.

Mas estamos aqui exercitando através da palavra morta, o sentido da vida, e que consigamos criar formas de o virtual não mais nos separar, e sim nos aproximar através da descentralização. Só assim nasceram sujeitos do social, e não só os jeitos dos outros em ideiais compartilhados não reais e realizáveis.

Obrigado pela reflexão! Grande abraço!

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Mais uma vez obrigado pela disponibilidade, pois tenho visto muita energia humana de envolvimento em projetos de mudança da realidade, uma prova viva que a transformação interior, modifica totalmente a realidade á nossa volta, e que cada vez mais vai espelhando a força da vontade individual como catarse social.
O meus cumprimentos pelo grande trabalho desenvolvido, e pelas sinergias geradas que já são bastante palpáveis na Existência do blockchain e da mutação da ontologia individual que se torna coletiva. :)
Gostaria de ter mais tempo para poder participar, mas escrever tem-me roubado muito a adição á leitura.
Estes comentários de qualidade exigem um grande esforço como escrever novos posts, e meu amigo compreendo quando não for possível responder, pois eu próprio já tinha previsto que isso iria acontecer hehe. Quando comento muito aprendo muito e ajuda a produzir novas ideias, mas reduz muito o tempo para escrever e trabalhar.
O meu tempo no Steemit me faz perder algum dinheiro mas me faz ganhar muito espírito que é infinitamente mais valioso. hehe
E mais uma vez obrigado pela partilha de novos prismas da realidade, que são a verdadeira fonte da aprendizagem.
Gostaria de ver alguns concursos, no Imaginário Virtual, com prémios de alguns Steems e com o objetivo de aproximar todas as comunidade da língua portuguesa.
Não costumo reparar na contabilidade do Steemit mas só esta semana vi valores transferidos para a minha wallet, mas que doarei tudo de volta para prémio do concurso ( caso haja boas doações este projeto pode ter um bom sucesso) para além de estar disponível para fazer curação dos posts envolvidos.

Poderia propor-se temas semanais em português , como por exemplo " A Anarquia em Portugal", "A narquia no Brasil", ...ou Angola, Timor, etc , segundo de "O Existencialismo" relativos aos países das comunidades portuguesas, "O estado de desenvolvimento da Descentralizaçaõ do Blockchain" em cada país e assim por diante.
Gostaria de ver a comunidade portuguesa e brasileira envolvidas neste projeto como por exemplo O @brazilians e o @steemitportugal e todos os outros grupos interessados.
A união das duas comunidades traria muito mais influênciaindividual e coletiva no Steemit e uma maior população no Imaginário Virtual e outros projetos das comunidades lusófonas.
Os promotores do concurso deveriam apenas participar com comentários nos posts propostos a concurso.
Não há pressa em responder hehe, nem de dar seguimento pois seria mais um fardo a carregar.:(
Abraço e força nos pontapés na Realidade estabelecida.







Eu que agradeço @charlie777pt. Tem muita ideia interessante. E quero avançar em muitas delas. Mas ainda estou sozinho nessa, mesmo assim, estou trabalhando parcerias. Acredito que o @antigourmet também pode adicionar a essa construção, e sinalizou que estaria interessado. Como fez com a mídia para o site. Comecei a usar o Dclick, também ideia dele, para ver se arrecado mais. Também vou ver com pessoal dos contests parcerias para promoções. Tenho muitas ideias, ainda pouco tempo para colocá-las em prática, e acho que precisa-se de mais cabeças pensantes para construir abrangendo diferentes perspectivas. Assim será mais rico, criativo.

Também pensei sobre o SP que disse da última vez, minha ideia é o SP que fica retido ficar separado, para delegar para novas contas a partir de 15 SP conforme disponibilidade.

Sobre as comunidades @brazilians e @steemitportugal, acredito que seria de imensa valia uma parceria. Não sei quem conduz lá, o @brazilians sou colaborador, mas não conduzo diretamente o projeto, mas posso trabalhar em um acordo caso for da vontade também do projeto português. Ou se o @steemitportugal quiser, o Imaginário Virtual também está aberto a negociações, fiz acordos com brazilians e ptgram para aumentar retorno dos comentários, e almejo mais acordos assim.

Sobre os temas em países diferentes é uma ótima ideia também. E vou me atentar a isso, e espero que me lembre caso nesse caminho acabe não abrangendo essa ideia.

Não me é um fardo, apesar de ficar um tempão aqui, acabei realizando muitas oportunidades, e aprendendo bastante. Mas também sou refém do tempo lógico, e as demandas da vida, do qual gosto muito também. kkkkk.

Quero atuar também na vida real, com campanhas humanitárias. E tenho ideias nesse sentido. Vamos conversando. Temos muito por fazer ainda!

Como disse o pontapé foi dado, agora é jogar o jogo, e buscar parcerias, um social só se faz partir dele, e venho nesse foco em parcerias, e construção de mídias. Achando mais gente que acredita nessa ideia, mais ideias, mais ato, vamos conseguir andar mais rápido. Abraço!

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great filosofi.
a very wonderful article @charlie777pt