As Teorias e Conceitos da Mudança

in #psychology2 years ago (edited)

Realidade social: Violência, Poder e Mudança
As Teorias e Conceitos da Mudança


"Mudança é Participação" - charlie777pt

Introdução


Este post é particularmente difícil porque existe a tarefa difícil de explicar o conceito de mudança no nível individual e de grupo e suas relações com as normas sociais e a cultura, sem esquecer o papel oculto do poder.
Vamos então falar sobre usando uma visão interdisciplinar para perceber as teorias da mudança, que fatores a influenciam, e os tipos de transformações das atitudes e consequentemente dos comportamentos ao nível individual e por outro lado da mutação social ao nível coletivo.
Iremos abordar duas visões aparentemente contraditórias, a corrente iniciada por Lewin na psicologia social que pouco se foca na parte afetiva e inconsciente da mudança da teoria analítica.

A mudança social é uma transformação da cultura como a ordem social de uma sociedade na natureza, estrutura, instituições, comportamentos individuais ou relações sociais.
A "Nova Ordem Mundial" tornou-se um Transtorno Global apoiado pela propaganda de uma falsa globalização.
O Estado é o centro de regulação da rede social normativa, favorecendo os grandes detentores de capital no conflito contra os indivíduos e grupos, para manter as assimetrias reais de classe social, riqueza e participação nos processos de tomada de decisão.

1 - Kurt Lewin

"Uma mudança deixa sempre patamares para uma nova mudança." - Nicolau Maquiavel

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A psicologia topológica de Kurt Lewin vê as situações e funcionamento social como um campo dinâmico, como um sistema com tendência para o equilíbrio das forças no sentido da Física, ( inspirado na Física teórica) e a aplicação da lei dos estados da mudança como uma forte de redução das tensões das "forças" da situação.
A redução da tensão visando a tendência para equilíbiro é a raiz da mudança social por modificação das atitudes sociais, quando há condições de participação de todos os membros nos processos de decisão.

A participação e o envolvimento nos processos de tomada de decisão num grupo, que é maximizada por uma descentralização do poder, parece ser o vetor fundamental para a mudança das atitudes ao nível intra-psiquico, que se revelam em diferentes comportamentos mensuráveis em cada pessoa nas suas interrelações ao nível grupal.
A mudança de comportamentos individuais tem repercussões ao nível de mudança social, que por sua vez muda as perceções e normas culturais dos preconceitos e esteretótipos que condicionam á partida as mutações coletivas.

Kurt Lewin, procedeu a várias experiências, que o conduziram a novas visões sobre a dinâmica social e que teve grande influência no mundo na Psicologia social e forma de intervenção social para o paradigma da Mudança.
As pessoas têm informações sobre situações, que estruturam seus comportamentos (observáveis) e têm atitudes (não observáveis) determinadas por percepções e normas culturais, que criam predisposições para as condutas humanas.

É sempre necessário haver nova informação para agir sobre as atitudes e percepções, que modificrão os comportamentos num processo de mudança que implica uma aprendizagem.
Assim a mudança social é um fenómeno grupal que aumenta a probabilidade de mudar as atitudes e comportamentos individuais.
Por exemplo, numa conferência, que tem muito pouca interação humana, nós temos uma mudança mínima de atitudes e condutas as pessoas retêm apenas 5% da informação, mostrando um aprendizagem fraca, a qual parece ser apenas favorecida numa intensa dinâmica de grupo.

A Mudança às vezes pode ser vista como o processo de acomodação, assimilação e adaptação de comportamentos humanos á realidade.
Doob em 1967 descobriu a escolha de estilos de vida baseados na tecnologia e na modernização da sociedade, influenciam os nossos traços psicológicos como uma reação aos sinais exteriores.

  • As pessoas que procuram novos estilos de vida são muito agressivas e "não conseguem obter satisfação".
  • Os indivíduos que estão habituados a ​​ adaptar-se às mudanças são muito independentes e autónomos, e possuem alta autoestima e baixa resistência a mudanças.

2 - Psicanálise


A visão da Psicanálise baseia-se no isomorfismo de constructos de traços da personalidade, que são inferidos a partir de sintomas observáveis ​​comportamentais de comportamentos "anormais".
Novas integrações interdisciplinares com a ajuda de investigações em neurociências, mais cedo ou mais tarde confirmarão ou não, com os mapas cerebrais se os padrões são estruturalmente similares para validar essa suposição dessas formas estruturais iguais

A visão psicanalítica da Mudança dos Freudianos está centrada nos processos e conflitos inconscientes que atuam na interação humana
Levy, em 1973, definiu a mudança como um "trabalho" sobre nossas próprias ilusões de controle e ação sobre a realidade, que nada têm a ver com a visão positivista de aprender em conduta organizada como um processo racional e voluntário.
Ele viu a mudança como o conflito da pulsão da vida ligado a compulsões e repetições relacionadas com a diluição da tensão e o retorno ao estado inorgânico (ao útero) da luta pela pulsão da morte.
Ao mesmo tempo os conflitos de história antigos da nossa vida despertam na consciência, como sintomas da repetição daqueles modos ancestrais.

" Mudar é, portanto não estar submetido á lei da repetição. É não regressar sempre aos mesmos amores, ás mesmas ideias, aos mesmos impasses, é suceder, abrir-se a uma história , aceder ao desconhecido, á aventura, ao risco...Trata-se com efeito to uma luta perpétua." - Amir Levy Mastering Organizational Change: Theory and Practice cited by Gustave Fischer
A perspectiva psicanalitica em relação á mudança quer interpretar os desejos e conflitos suscitados pela situação e as repercussões do paralelismo com outros acontecimentos da vida que foram reprimidos(recalcados).

3 - Sociologia


As Perspectivas sociológicas sobre mudança social têm duas perspectivas de abordagem, a funcionalista e a do conflito.
Os funcionalistas não gostam de interrupções que perturbam o equilíbrio da sociedade e acreditam que as mudanças devem graduais na tecnologia e crescimento da população e acreditam que a interação facilita a inovação de pensar e agir na sociedade.
Talcott Parsons (1966) é um teórico central da teoria funcionalista usando o modelo do equilíbrio para a mudança social.

A teoria do conflito vê a sociedade como estratificada pela desigualdade social e acredita na intervenção social, como protestos ou revoluções, que são as ferramentas necessárias para resolver e assimetrias sociais e enfatiza os conflitos económicos não baseados em raça / etnia, género ou religião, mas têm confiança no poder coletivo para influenciar a mudança social.

"Todas as transformações observáveis no tempo, que afectam, de uma maneira que seja provisória ou efémera , a estrutura do funcionamento ou organização social de uma coletividade dada e modificam o curso da história" - Guy Rocher cited by Gustave Fischer

Mudança social é uma estrutura que deve ser permanente por um determinado período de tempo que pode ser relacionada (nem sempre) com eventos coletivos que a acompanham ou acionam, como por exemplo uma greve para aumentar salários é apenas uma mudança no equilíbrio, mas não é realmente um transformação social.
As eleições são uma mudança social na estrutura política.
Sherif e Sherif disseram que os movimentos sociais são feitos pela ação coletiva para modificar um modelo de poder predominante e estabelecer novas orientações num sistema, uma noção que se parece com o conceito de "ação histórica" estudada por Rocher.

Video:

O processo de mudança segundo Kurt Lewin

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Os caminhos da mudança
Mudança social

Referências consultadas:

Les concepts fondamentaux de la psychologie sociale - Gustave-Nicolas Fischer
La psychologie sociale - Gustave-Nicolas Fischer
A dinâmica social-violência, poder, mudança - Gustave-Nicolas Fischer , Planeta/ISPA, 1980
Gustave-Nicolas Fischer é Professor de Psicologia e Diretor do Laboratório de psicologia na Universidade de Metz.
Raven, B. H. e ; Rubin, J. Z. (1976). Social psychology: People in groups
French, J. R. P., e ; Raven, B. H. (1959). The bases of social Power. In D. Cartwright (Ed.),Studies in social Power. Ann Arbor, MI: Institute of Social Research
Castel, R. As metamorfoses da questão social. Vozes, 1998.
Moscovici, S. (1976).Social influence and social change. London: Academic Press.
Michel Foucault, Discipline and Punish: The Birth of the Prison
Festinger, L. (1954). A theory of social comparison processes.
Dahl, R.A. (1957). The Concept of Power
Giddens, Anthony, Capitalism and Modern Social Theory: An Analysis of the Writings of Marx, Durkheim and Max Weber, 1971.
Grabb, Edward G., Theories of Social Inequality: Classical and Contemporary Perspectives,1990.
Weber, Max, Economy and Society: An Outline of Interpretive Sociology, 1968.
Lewin, K. (1948) ‘Action Research and Minority Problems’, in G.W. Lewin (ed.), Researching Social Conflicts , New York: Harper and Row
Parsons, T. (1966). Societies: Evolutionary and comparative perspectives.
Levy, A. (1986) Second-order planned change: Definition and conceptualization, Organisational Dynamics, Vol, 15, Issue 1, pp. 5, 19-17, 23
Watzlawick, P., Weakland, J.H., Fisch, R. (1974) Change: Principles of Problem Formation and Problem Resolution. New York, Norton.

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De fato, existem vários tipos de mudanças, mas todas elas partem de um ponto em comum: uma necessidade particular. Isso já é relativamente difícil de ser feito... Imagina quando é preciso mudar alguma coisa no aspecto coletivo?

Você fez uma compilação (muito bem feita por sinal) sobre vários aspectos super importantes.

Hoje eu escrevi dois posts que talvez sejam interessantes para você (por seguir uma vibe parecida com o seu post): https://steemit.com/pt/@wiseagent/01-de-maio-dia-do-trabalhador-o-que-ha-para-ser-comemorado e esse: https://steemit.com/pt/@wiseagent/toda-revolucao-comeca-com-uma-faisca.

Valeu!

Cada ação precede de uma necessidade que está ligada ao sistema e que favorece ou desfavorece a sua execução , necessidade esta que está ligada a valores que também dependem da dinâmica social envolvente, bem como das atitudes, que decorrem e se estruturam em função da sua inserção social.
Tem de se ter em conta a condição das necessidades e valores em relação aos objetos e não só as formas cognitivas.
Bem estou a desenvolver este importnte aspecto nos próximos dois posts, mas estou ainda a tentar traduzir um pensamento complexo para termos simples mas tá difícil, hehe
Os proximos dosi posts vão exigir uma grande atenção na sua leitura, pois estou a querer meter o Mundo todo numa só rua. :)