A dinâmica do poder - parte 2 - Os Modelos de Liderança

in psychology •  2 years ago  (edited)

Realidade Social: Violência, Poder e Mudança
A dinâmica do poder - parte 2 - Os Modelos de Liderança


No último post sobre a Dinâmica do poder -Parte 1 - A Legitimidade da Autoridade- iniciamos uma série de cinco artigos sobre um dos meus tópicos favoritos - Liderança - analisando seus Modelos (este post ), Características, Relação e Processo de Tomada de Decisão.

1 - A Liderança


"A Cultura é o passado do Sistema , o Clima Politico, Económico e organizacional são o Presente, enquanto a Liderança e as Pessoas são o Futuro"
Assim, a Liderança e as Pessoas são os pontos focais para a transformação da realidade no clima económico institucional e organizacional, como forma de transformar a cultura que é o elemento aglutinador, unificador e normalizador da sociedade.
Na cultura e nas organizações, a liderança torna-se essencial pela sua flexibilidade e capacidade inventiva e criativa de forma a permitir uma rápida e adequada adaptação às novas realidades externa e interna.

Na psicologia social os estudos da Liderança trouxeram á realidade o elemento fundamental e indissociável do Poder.
A Liderança nas suas primeiras investigações estudou o fenómeno da influência de um indivíduo sobre os outros em função da sua personalidade e/ou dos seus comportamentos.
O Poder exercido na Liderança pode ser detido informalmente ou formalente nas organizações e instituições hierarquizadas e centralizadas.

O grande problema é que os primeiros estudos da liderança apenas se focavam nos aspectos pessoais e comportamentos dos líderes para explicar o fenómeno da dinamização social e ignoravam as variáveis da cultura organizacional e das capacidades dos liderados.
Esta filosofia de centração no indivíduo deturpa as próprias concepções e resultados dos estudos e ao mesmo tempo cede ao já instituido no senso comum e mascara a forma de pensar sobre o Poder.

2 - Os Modelos de Liderança


Vamos então começar neste post por analisar os Modelos de Liderança da psicologia social para nos próximos analisar as suas Caracteristicas, o Interelacionismo da situação, e o que sucede nos processos de Tomada de Decisão.
Basicamente, temos quatro modelos para analisar os fenómenos sociais da liderança.

lideranca-teoria1-pt.jpg

2.1- Abordagem da teoria dos traços (tipo I)

Esta abordagem é centrada apenas nos traços de personalidade do líder como explicação global para o fenómeno da Liderança.
Antes da Segunda Guerra Mundial, a liderança foi definida em termos de características de personalidade que permitiam identificar os líderes.
Nessa perspectiva, a Liderança é algo natural que nasce com a pessoa, como propriedade intrínseca de ter uma série de características, como sociabilidade, fluência verbal, inteligência, iniciativa, sensibilidade às necessidades de outras pessoas e autoconfiança.

Nessa época, parecia muito fácil entender a Liderança como uma questão de características, pelo que simplesmente se tentava medir as capacidades da pessoa para ser um líder usando questionários, testes de personalidade e capacidade.
Então o Líder nascia como governante e o poder era visto como uma dádiva pessoal e não havia outras influências como a situação, organização ou cultura.

teorias-da-lideranca-tipo1-pt.jpg

O estudo de Winter em 1975 queria descobrir quais as diferenças de pessoas em relação à necessidade e motivação para o poder e constatou-se que os estudantes negros com forte aspiração pelo poder e que tinham pontuações mais altas nos testes eram os líderes que dirigiam a atividade política no Campus.
Nestas teorias, não havia ainda o conceito de mudar o estilo de liderança porque era uma propriedade estática interna do indivíduo.

2.2 - Abordagem da Teoria comportamental (Type II)
Em abordagens posteriores verificou-se que a Teoria dos Traços pessoais não definiam a natureza da liderança, porque ela está dependente de factores externos aos líderes em cada situação, e pela observação dos comportamentos em grupo, surge a possibilidade da mudança de comportamentos de liderança.
Foram feitos muitos estudos sobre o estilo do comportamento dos líders como por exemplo os das universidades de Ohio e Michigan.

  • - Em Ohio tinham como objectivo identificar as dimensões do comportamento do líder que podiam ser descritos em duas categorias, a estrutura (objetivos e execução da tarefa) e considerações (confiança mútua, relacionamentos saudáveis e ouvir as idéias dos membros).
  • - Em Michigan, eles foram identificados duas categorias do comportamento, a orientação para a tarefa e a orientação para as pessoas.
    Os líderes orientados para as pessoas conseguiam melhores resultados de produtividade e uma satisfação profissional elevada no grupo.
    Os líderes orientados para a produção originavam menor produtividade do grupo e menor satisfação do trabalho, preocupando-se fundamentalmente com o cumprimento das tarefas e menos com as relações interpessoais.
No entanto o modelo mais divulgado nesta teoria foi a grelha de liderança de Robert Blake e Jack Mouton.
Eles dividiram os Líderes em cinco tipos de estilos de gestão : a empobrecida, a clube de campo(country club) , a tarefa, a equipe e o meio-caminho.

teorias-da-lideranca-tipo2-pt.jpg

2.3 - O Modelo Situacional (Tipo III)
Fiedler estudou essa abordagem e identificou os dois principais fatores da situação ou contexto que determina os comportamentos dos líderes.
De um lado, temos a organização e estrutura do grupo, o objetivo das tarefas, as normas atuais e o processo de tomada de decisão.
Por outro lado, a relação entre o líder (personalidade, experiência, motivações) e as pessoas (traços de personalidade e conhecimento).

teorias-da-lideranca-tipo3-pt.jpg

Essa nova visão de liderança sem se concentrar nas características de personalidade, analisa a adequação das ações do líder em termos de situação como uma restrição.
Fiedler isolou três variáveis de contingência na situação condicionando o comportamento e a capacidade do líder:

  • A autoridade formal do líder que está relacionada com a sua posição hierárquica.
  • A forma como a tarefa é organizada, vinculada à estrutura e meios que envolvem as atividades
  • A inter-relação entre o líder e as pessoas, observável na aceitação da sua liderança e no clima gerado no grupo.
2.4 - O modelo de contingência (tipo IV)
Outro modelo de liderança situacional que foi desenvolvido por Ken Blanchard e Paul Hersey que se refere á adequação entre o tipo de liderança exercida e o estádio de desenvolvimento dos liderados, e que mostra as possíveis mudanças de comportamento no Lìder, e que permitirão desenvolver as pessoas até que elas possam, queiram e e tenham controlo sobre o seu trabalho.

teorias-da-lideranca-tipo4-pt.jpg

No próximo post sobre as Características da Liderança, iremos também aprender como cada Líder pode melhorar e desenvolver as suas capacidades de liderar e ao mesmo tempo possibilitar o desenvolvimento das pessoas.

Últimas publicações nesta série sobre a Realidade Social: Violência, Poder e Mudança

Introdução:

A Realidade Social: Violência, Poder e Mudança

A - Violência:

Uma Introdução à Violência
Os Conceitos de Violência, Agressão e Agressividade
As teorias da Violência
Os influenciadores da Violência - Parte Um - Cultura e Contexto Social
Os influenciadores da Violência - Parte 2 - Fatores Sociais, Cognitivos e Ambientais
A ascensão da violência de hoje

B - Poder:

O que é Poder? - Introdução
A Natureza do PoderA Dinâmica do poder:

Artigos da próxima série de publicações sobre Realidade Social, Violência, Poder e Mudança

  • Parte 3 - Características da Liderança
  • Parte 4 - A Relação na Liderança
  • Parte 5 - Tomada de Decisão e Liderança
Os Efeitos e as Consequências do poder

C - Mudança:

Mudança e Cultura
As teorias e a conceptualização da mudança
Fatores que determinam a mudança
Os caminhos da mudança
Mudança social

Referências consultadas:

Les concepts fondamentaux de la psychologie sociale - Gustave-Nicolas Fischer
La psychologie sociale - Gustave-Nicolas Fischer
A dinâmica social-violência, poder, mudança - Gustave-Nicolas Fischer Planeta/ISPA, 1980
Gustave-Nicolas Fischer é Professor de Psicologia e Diretor do Laboratório de psicologia na Universidade de Metz.
Raven, B. H. e ; Rubin, J. Z. (1976). Social psychology: People in groups
French, J. R. P., e ; Raven, B. H. (1959). The bases of social Power. In D. Cartwright (Ed.),Studies in social Power. Ann Arbor, MI: Institute of Social Research
Castel, R. As metamorfoses da questão social. Vozes, 1998.
Moscovici, S. (1976).Social influence and social change. London: Academic Press.
Michel Foucault, Discipline and Punish: The Birth of the Prison
Festinger, L. (1954). A theory of social comparison processes.
Dahl, R.A. (1957). The Concept of Power,
Giddens, Anthony, Capitalism and Modern Social Theory: An Analysis of the Writings of Marx, Durkheim and Max Weber, 1971.
Grabb, Edward G., Theories of Social Inequality: Classical and Contemporary Perspectives,1990.

Weber, Max, Economy and Society: An Outline of Interpretive Sociology, 1968.

Authors get paid when people like you upvote their post.
If you enjoyed what you read here, create your account today and start earning FREE STEEM!
Sort Order:  

leadership is an attempt to use an influence and not force force to motivate individuals in achieving goals.

leadership is a deliberate process of a person to emphasize his strong influence on others to guide, structure, facilitate activities and relationships within group or organization.

leadership is a person's ability to move, direct, and influence the mindset, how each member works to be independent in working primarily in decision-making for the sake of accelerating the achievement of the established goals.

I really do not understand what this language is and it is a Spanish language

This language is Portuguese, and in this case, written by a person of Portugal but anyone from the Lusophone community can understand it well.