A Dinâmica do Poder - Parte 3 - Características da Liderança

in psychology •  2 years ago 

Realidade Social: Violência, Poder e Mudança
A Dinâmica do Poder - Parte 3 - Características da Liderança


Nesta série sobre a Dinâmica do Poder na Parte 1 falamos sobre a Legitimidade da Autoridade e na Parte 2 sobre os Modelos de Liderança e neste post analisaremos as Características da Liderança, seguidas de dois posts sobre a Inter-relação e os processos de Tomada de Decisão.

A Liderança é um fenómeno em que uma pessoa investida de Poder hierárquico, interage num grupo, usando um conjunto de influências interpessoais mútuas, num determinado contexto,e os processos de comunicação para criar motivação e para se atingir resultados estratégicos determinados.

"Eu acho que só faz sentido procurar e identificar estruturas de autoridade, hierarquia e dominação em todos os aspectos da vida, e desafiá-las; a menos que uma justificativa para elas possa ser dada, elas sejam ilegítimas e devam ser desmanteladas, aumentando o alcance da liberdade humana ". - Noam Chomsky
Uma outra definição foi dada no post anterior mostrando que a cultura Cultura(Passado) do sistema condiciona o Clima (Presente) Politico, Económico e Organizational, que é transformado pela Liderança e pelas pessoas (Futuro) para ser reabsorvido na Cultura.

1- O Potencial da Liderança


O Potencial da Liderança pode ser expresso em quanto poder um indivíduo pode obter sob a influência de um grupo e dos fatores situacionais.
Não nos vamos concentrar na perspectiva dos traços ou atributos do líder, mas como sua personalidade cria um processo de identificação no subordinado, como autoconfiança e sensibilidade interpessoal (normalmente não vistas na liderança autocrática).
Queremos conhecer as condições para o surgimento de líderes com influência e legitimados pelo processo de sua aceitação pelas pessoas.

O desejo de ser líder normalmente atrai pessoas que apoiam e aceitam sua posição, usando a motivação e gratificação para influenciar de maneira positiva e realizar tarefas que precisam ser conduzidas.
O Potencial da Liderança é determinado pelo grupo e pelas condições da situação, que aumentam as capacidades latentes do líder com base na história pessoal e nas suas experiências sociais.

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Outros estudos enfatizaram a dimensão da Valência de Liderança que se expressa nos indivíduos que mais contribuem para as situações com a sua capacidade de resolução de problemas grupais, baseadas no poder positivo de atração por identificação (influência sem imposição) ou negativa (coerção e punição).
Isto baseia-se na suposição de que as ações do líder respondem às suas necessidades.
Portanto, o Potencial para a liderança é uma função da avaliação das pessoas de como o líder responde às suas expectativas.

2 - O Líder com Carisma


No quotidiano social, o chefe é visto como o vórtice da organização e da estabilização do tecido social.
"Um líder, um povo, significa um mestre e milhões de escravos". - Albert Camus
Weber, em 1947, identificou o conceito de autoridade do Líder Carismático que é baseada na posse subjetiva de um "dom" de qualidades de criação da dependência afetiva das pessoas baseada no amor e na admiração.
"O reconhecimento por aqueles que são dominados decide da validade do carisma" - Max Weber
Moscovici provou que esta reciprocidade era uma mistificação baseada na ilusão que as pessoas têm que ser como, e depender do líder, subordinando a sua vontade à aceitação voluntária da submissão.
Weber via os líderes carismáticos como uma espécie de profetas, para definir novas regras e crenças para o funcionamento da sociedade, e eles são obedecidos, temidos e seguidos com base em qualidades exemplares. Weber reconheceu que o carisma é irracional porque é fortalecido por "poderes mágicos", que revelam o ideal oculto do ego das pessoas.
Como Freud disse, o líder é o ideal do nosso ego por identificação.
"O Poder é o domínio, o controle, e, portanto, uma forma muito selectiva de verdade, que é uma mentira". - Wole Soyinka Séneca

3- Liderança como Estilo


O problema com as teorias antigas de liderança é verem o Líder como uma capacidade estática de uma pessoa para liderar em quaisquer circunstâncias.
É aí que o conceito de Estilo se associa à maleabilidade para escolher um estilo na função de suas inclinações pessoais, que responde à situação, à estruturação das tarefas e às exigências dos subordinados.

Terminaremos este post com Kets the Vries, que em 1980 descreveu cinco tipos de líderes com estilos associados a patologias como neurose, psicose e depressão: o compulsivo, o teatral, o depressivo, o paranóico e o esquizóide.

  • O Compulsivo - ele / ela tem medo dos eventos futuros, então ele padroniza, programa rigidamente, e prepara obsessivamente cada detalhe, e usa dominação e submissão para que não haja espaço para os subordinados terem iniciativa.
  • O Teatral - é um controlador que tem uma fixação no desejo de estar à frente das situações, e ele toma medidas irreflexivas, de maneira impulsiva, até assume contradições e riscos incongruentes, apenas para satisfazer a vontade de poder. Ele leva o crédito por qualquer sucesso e minimiza totalmente as pessoas e bloqueia a comunicação escassa, fazendo com que as pessoas se sintam totalmente dominadas e coagidas.
  • O Depressivo - com baixa autoestima e sentindo-se desesperado para mudar os eventos ele / ela adere às velhas regras e programas, resistência total à mudança e usando principalmente o controle burocrático, a coerção e gerando total passividade.
  • O Paranóico - Ele não confia em ninguém e está sempre procurando com motivos ocultos hostis dirigidos a ele / ela, e ele minuciosamente espia, assiste, e procura as confirmar suas suspeitas. Ele é alérgico a mudanças, á criatividade e á inovação, fazendo as pessoas sentirem-se asfixiadas, desiludidas, inseguras e indefesas.
  • O Esquizóide - tem sempre medo das consequências de interagir com os outros, e tenta escapar pelo isolamento, nervosismo, incoerência e ausência de objetivos, e as pessoas têm que tomar decisões e lutar por isso, mas inconscientemente, esperam a aprovação do chefe.
Estas categorias fixas são muito difíceis de encontrar na realidade como "caricaturas" puras desse estado, mas elas aparecem combinadas nas pessoas que podem ter mais de um traço de patologia que influencia a liderança.
Nesta série sobre a Dinâmica do Poder na Parte 1 falamos sobre a Legitimidade da Autoridade e na Parte 2 sobre os Modelos de Liderança, neste post analisámos as Características da Liderança, e os próximos dois posts são sobre a Inter-relação e os processos de Tomada de Decisão

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Referências consultadas:

Les concepts fondamentaux de la psychologie sociale - Gustave-Nicolas Fischer
La psychologie sociale - Gustave-Nicolas Fischer
A dinâmica social-violência, poder, mudança - Gustave-Nicolas Fischer Planeta/ISPA, 1980
Gustave-Nicolas Fischer é Professor de Psicologia e Diretor do Laboratório de psicologia na Universidade de Metz.

Raven, B. H. e ; Rubin, J. Z. (1976). Social psychology: People in groups
French, J. R. P., e ; Raven, B. H. (1959). The bases of social Power. In D. Cartwright (Ed.),Studies in social Power. Ann Arbor, MI: Institute of Social Research
Castel, R. As metamorfoses da questão social. Vozes, 1998.
Moscovici, S. (1976).Social influence and social change. London: Academic Press.
Michel Foucault, Discipline and Punish: The Birth of the Prison
Festinger, L. (1954). A theory of social comparison processes.
Dahl, R.A. (1957). The Concept of Power.
Giddens, Anthony, Capitalism and Modern Social Theory: An Analysis of the Writings of Marx, Durkheim and Max Weber, 1971.
Grabb, Edward G., Theories of Social Inequality: Classical and Contemporary Perspectives,1990.
Weber, Max, Economy and Society: An Outline of Interpretive Sociology, 1968.
Porter, L. and Lawler, E. (1968). Atitudes e Performances Administrativas. Homewood, Ill.: Dorsey Press.
Vroom, V. (1964). Trabalho e Motivação. Nova Iorque: Jon Wiley and Sons.

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Saudações, charlie777

Muito bom man
Destaco que vejo uma diferença imensa entre líder e chefe. O líder é uma pessoal confiável que tende á ajudar o grupo á se desenvolver. É como se ele fosse o primeiro á remar em um barco e motivasse o pessoal á continuar sempre remando.

O chefe possui pessui perfil autoritário e gosta de comandar os outros para exercer o domínio sobre eles. Geralmente, possuem um humor volátil e sentem prazer em praticar assédio moral.

Esse perfil de chefe geralmente se dá bem em empresas mais antigas em que existem a hierarquia é grande, pois cada um fica dentro de um patamar e geralmente precisam acatar ordens de quem está acima.

Porém, nessas empresas novas, principalmente ligadas á tecnologia que possuem muitas pessoas dessa nova geração, um chefe assim jamais triunfaria por muito tempo. Nesse caso, é necessário papel de lider, em que a empatia e o trabalho conjunto agregam mais valor á empresa e chamam mais a atenção dos jovens!!

Boa tarde!

Muito obrigado pelo grande valor acrescentado do comentário.
Há mais de 35 anos que ensino liderança, e desde que descobri a sociedade descentralizada a palavra líder deixou um pouco de fazer sentido.
Vou aqui por algumas reflexões sobre as necessidades de agentes de mudança que serão os não-líders, porque terão como objetivo as necessidades globais dos membros comunidade em vez de necessidades externas com objetivos estranhos da produção em série e dos constragimentos das organizações centralizadas.

Os líderes da cultura mecanicista que quiserem sobreviver na nova Era da Globalização, precisam de começar a pensar como agentes de mudança e romper com as concepções ultrapassadas da cultura organizacional centralizada.
Os novos agentes de mudança terão um papel fundamental na propagação e implementação da descentralização e terão de auxiliar as comunidades também descentralizadas, a explorarem os seus objetivos comuns, superar os obstáculos, para a criação novos valores, atitudes e comportamentos através dos processos de identificação e internalização dos membros da comunidade.
Todo cidadão no futuro será um Agente de Mudança nas comunidades descentralizadas.

Psychology is one of the most important sciences
Because he studies the situations of man and how to deal with man
Because human beings differ from one person to another