Os Efeitos do Poder - Parte 5 - Resistência ao Poder

in psychology •  last year  (edited)

Realidade Social: Violência, Poder e Mudança
Os Efeitos do Poder - Parte 5 - Resistência ao Poder

"Nunca se confia no Poder" - charlie777pt

Introdução


O abuso de Poder legítimo gerará sempre Resistência. Nós devemos lutar e resistir contra o Poder.
Nós devemos lutar contra o Poder, que não pensa sobre a raça humana para restabelecer o nosso auto-respeito.
"Quando ouvi a história de Edward Snowden, lembrei-me da minha mãe de uma forma estranha. Ela estava na resistência francesa desde o início de 1941. Naquela época, a Resistência era considerada problemática - até mesmo traidora - na França." - Jean-Michel Jarre

1 - Resistência à Opressão


A Resistência é a oposição ao Poder, que pode ser informal e clandestina ou não, e pode ser feita por organizações formais.
O modo de oposição usado pode ser expresso em grupos dissidentes armados com uma estratégia organizada para combater o Poder, normalmente clandestino e contra a opressão de um grupo dominante, que pode se tornar uma revolta.

A Resistência ao Poder pode tornar-se numa recusa total da autoridade em vigor e suas regras, revelando insubmissão total e até incapacidade de negociar ou comprometer, só porque o Poder foi longe de mais e tornou-se insuportável, porque passou o limiar da tolerância das pessoas se submeterem.

Davies, em 1969, definiu o conceito de "privação relativa", reforçando o aspecto de que não são as pessoas mais exploradas, oprimidas e pobres que se revoltam contra a opressão do poder.
Nos sistemas oligárquicos, a dissidência nasce dentro do berço do totalitarismo, quando as forças sociais não podem ser detidas e os dissidentes podem criar circuitos paralelos de modos coletivos dissimulados de Resistência.

"Lutar e vencer em todas as nossas batalhas não é excelência suprema; excelência suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar." - Sun Tzu
Além disso, a maioria dos movimentos hoje se tornou não-violenta, mas os media e os governos tendem a mostrar como violento para criar o medo da mudança social e novas idéias para a reconfiguração do Poder atual.
Quando o Poder fica muito concentrado, a Resistência surgirá para combater e permitir a mudança social, que sempre resulta de lutas contra a dominação aberta, a exploração e a opressão.

A Resistência desafia o poder ilegítimo, com novas visões filosóficas, teóricas e éticas do mundo para forçar a mudança e tornar-se também no futuro uma possível fonte de Poder.
O Poder excessivo determina o equilíbrio pelos governantes da distribuição de riqueza e o desrespeito da liberdade e do direito individual de escolher.
As constituições dos países deviam prescrever os meios pelos quais o poder é legitimado, responsabilizado e limitado, e como a sua estabilidade é medida pela satisfação das pessoas e controle sobre os limites da ação dos funcionários públicos e políticos em exercício.
A corrupção real que cresce com a concentração de poder tem permitido o abuso de políticos que são capacitados com uma vontade coletiva roubada, e estão imunes à justiça.

As pessoas na sociedade de hoje, estão a ser conduzidas pelo Poder institucional através do medo e pela insegurança, e submetem-se a ser governadas por uma soberania absoluta, permitindo a vigilância privada em troca da garantia da proteção e da paz.

"Argumentar que não se importa com o direito à privacidade porque não tem nada a esconder não é diferente de dizer que não se importa com a liberdade de expressão porque não tem nada a dizer." - Edward Snowden
O Poder hoje está a utilizar violência estrutural, simbólica e cultural, usando o populismo e o mesmerizador coletivo dos tempos de guerra, os sinais mais demonstrativos da psicologia de massa do fascismo, mostrando a relação entre ditadura, corrupção, abuso de poder, sadismo, perversão interiorizar e estabelecimento do conformismo.
Devemos resistir aos políticos que manipulam as estruturas do Estado e à propaganda como uma fábrica de fatos, para tornarmos o mundo mais seguro inventando news que justificam as ações dos bombardeamentos imperialistas para parar a inexistência de "armas nucleares" e de"guerras quimicas".

Trump, May e Macron querem governar e aglutinar as pessoas com o ódio e o sangue de outras populações "inimigas", como aconteceu com os índios nos EUA e no fascismo na Alemanha com o terceiro Reich.

"Sob observação, nós agimos menos livremente, o que significa que efetivamente somos menos livres." - Edward Snowden
O Poder da Resistência tem sempre um impacto na mudança de cultura, ideologia e padrões sociais de comportamento.
"O caminho da menor resistência é o caminho do falhado." - H. G. Wells

2 - Os três Estados de Poder


Na minha própria teoria simplista, o Poder tem três formas básicas, os Estados Sólido, Gasoso e Líquido, que podem mudar nesta ordem correlacionados com os tipos de mudanças na estabilidade social como Concentração, Ruptura e Estabilização.

power-states-pt.png

O Fascismo é o estado da concentração Sólida de Poder, e sempre um dia esse poder explodirá por Disrupção, que traz o Estado Gasoso onde o poder é como vapor no ar, mas ninguém pode segurá-lo.
E então começa-se a a passar ao Estado Líquido com grupos de poder mais distribuídos, trazendo alguma estabilização social, até voltar a ser uma rocha sólida concentrada e, como hoje, é o "Estado do Aço", que normalmente precede a Disrupção e o Caos.
Porque talvez o Caos seja a explosão da concentração do Poder, a nuvem escura e pesada da dominação Sólida causada pela concentração de uso e abuso, como as emoções coletivas reprimidas rebentando e quebrando as paredes da opressão dos que sofrem a dependência e o controle.

Isto significa que quando um Poder Sólido é derrubado e vaporizado para passar ao Estado Gassoso , ele volta novamente ao ciclo de construção de novas formas e configuração de Poderes que, com a crescente estabilização passará ao estado Líquido, e que depois volta ao Estado Inicial de solidez.
O Poder de Aço Sólido hoje pode ser visto nas crescentes injustiças sociais, aumento das desigualdades, sangue e traumas das guerras imperiais e seus lobbies de traficantes de armas, bem como o colapso económico e corrupção política e moral.

"O Controle precisa de tempo como um agarrado precisa de droga" - Genesis P-Orridge da banda industrial Throbbing Gristle

3- Lutar contra o Poder


A prática da Resistência constrói a disseminação da consciência para a necessidade de mudança social, como um anticorpo feito para combater a infecção da concentração de Poder.
"O poder em defesa da liberdade é maior que o poder em favor da tirania e da opressão, porque o poder, o poder real, vem da nossa convicção que produz ação, ação intransigente." - Malcolm X
A Resistência aparece em muitas formas diferentes, como protestos coletivos e / ou individuais, com táticas de oposição ou confrontação declarada, recusas não-violentas de cooperar ou a criação de alternativas para dissolver as existentes.
A Resistência pode ser delineada por indivíduos ou grupos com o objetivo de mudar nossos sistemas políticos, sociais e ambientais desafiando, subvertendo, encontrando brechas para penetrar nas suas rotinas, fugir ou usar confrontos violentos e criar condições para o surgimento de novos poderes para mudar a realidade e a cultura.

A Resistência pode ser realizada por atos coletivos e indiduais, como arte, ativismo, textos, memes e linguagem, apenas para mencionar alguns dos simbolismos associados aos movimentos sociais para reorganizar o poder dominante inadaptado.
Onde há exercício de Poder excessivo, devemos sempre lutar e organizar um combate coletivo e individual.
A Resistência move a roda da mudança na Casa do Poder para trazer novos valores que mudam a vida social e a cultura pela consciência individual e pela intervenção com ativismo.

A música é um PODER que pode lutar contra o Poder
Public Enemy- Fight The Power (Versão Completa HQ VIDEO)

Últimas publicações nesta série sobre a Realidade Social: Violência, Poder e Mudança
Introdução:

A Realidade Social: Violência, Poder e Mudança

A - Violência:

Uma Introdução à Violência
Os Conceitos de Violência, Agressão e Agressividade
As teorias da Violência
Os influenciadores da Violência - Parte Um - Cultura e Contexto Social
Os influenciadores da Violência - Parte 2 - Fatores Sociais, Cognitivos e Ambientais
A ascensão da violência de hoje

B - Poder:

O que é Poder? - Introdução
A Natureza do Poder A Dinâmica do poder:Os Efeitos e as Consequências do poder

Artigos da próxima série de publicações sobre Realidade Social, Violência, Poder e Mudança

  • Parte 6 - Conclusões e Poder no Ciberespaço

C - Mudança:

Mudança e Cultura
As teorias e a conceptualização da mudança
Fatores que determinam a mudança
Os caminhos da mudança
Mudança social

Referências consultadas:

Les concepts fondamentaux de la psychologie sociale - Gustave-Nicolas Fischer
La psychologie sociale - Gustave-Nicolas Fischer
A dinâmica social-violência, poder, mudança - Gustave-Nicolas Fischer , Planeta/ISPA, 1980
Gustave-Nicolas Fischer é Professor de Psicologia e Diretor do Laboratório de psicologia na Universidade de Metz.
Raven, B. H. e ; Rubin, J. Z. (1976). Social psychology: People in groups
French, J. R. P., e ; Raven, B. H. (1959). The bases of social Power. In D. Cartwright (Ed.),Studies in social Power. Ann Arbor, MI: Institute of Social Research
Castel, R. As metamorfoses da questão social. Vozes, 1998.
Moscovici, S. (1976).Social influence and social change. London: Academic Press.
Michel Foucault, Discipline and Punish: The Birth of the Prison
Festinger, L. (1954). A theory of social comparison processes.
Dahl, R.A. (1957). The Concept of Power.
Giddens, Anthony, Capitalism and Modern Social Theory: An Analysis of the Writings of Marx, Durkheim and Max Weber, 1971.
Grabb, Edward G., Theories of Social Inequality: Classical and Contemporary Perspectives,1990.
Weber, Max, Economy and Society: An Outline of Interpretive Sociology, 1968.
Porter, L. and Lawler, E. (1968). Atitudes e Performances Administrativas. Homewood, Ill.: Dorsey Press.
Vroom, V. (1964). Trabalho e Motivação. Nova Iorque: Jon Wiley and Sons.
Vroom, V.H., Yetton, P.W., 1973, “Leadership and Decision – making”, Pittsburgh:
University of Pittsburgh Press.






Authors get paid when people like you upvote their post.
If you enjoyed what you read here, create your account today and start earning FREE STEEM!
Sort Order:  

Saudações, charlie777

Qualquer lugar que haja poder, haverá um lado de poucos que se beneficiará da coerção de muitos. Isso faz com que alguns dos coagidos formem uma resistência lutem contra esse poder instaurado. O problema, é que geralmente quando os coagidos "vencem", estes tornam-se os algozes, que abusam de poder para colocar o seu "regime", fazendo com que ocorra um "carrosel", hora estando la em cima, hora lá em baixo.

Essas questões são muito complicadas, para mim, aquele livro "revolução dos bichos" retrata isso muito bem!!

Obrigado e bom dia!

Sim o Poder é a casa , onde vão entrado personagens, a estrutura que sobrevive sempre, pois todos os que entram se viciam e querem ficar, mas as novas configurações sociais vão mudando os actores.
O problema é que a casa centralizada tem de ser toda derrubada e reconstruida com uma nova lógica da participação de todos, uma nova casa descentralizada no blockchain e na internet como uma colmeia com vasos intercomunicantes.

Muito bom man. Essa metáfora do poder é a casa foi excelente para explicar!

É uma casa invisível, mas não transparente. hehehe

Resteemed.

  ·  last year (edited)

Post muito bom!

É disso que o Brasil está precisando para poder levantar de vez, sacudir a poeira e dar a volta por cima: resistir ao poder dessa corja de políticos!

Muito Obrigado.
Sim no Brasil a corrupção está muito entranhada em toda a cultura que aceita a o jogo sujo do poder como uma coisa de políticos.
O problema não é como dizem de Lula ser de Esquerda porque a corrupção é totalmente endémica em todo o espetro político.
Nos sistemas políticos, enconómicos e institucionais nada mais é nem nunca será "limpo e "aberto"
Espero que o pessoal perceba que a revolução através do atual aparelho político não é possível.
A descentralização é uma arma "atómica" para desconcentrar o poder para quem o tem de direito, os cidadãos.
Precisa-se de movimentos cívicos fora da política para se procurarem novas soluções.
Meus próximos posts sobre a mudança irei propor algumas soluções para este problema da "politica vampirizada" cada vez mais centralizada e os "poderosos" já não tem trela e estão embriagados pelo poder e pelo exibicionismo da luxúria material.

Venho acompanhando sempre suas séries. É muito interessante o que traz. Vou colocar questões, mas sinta-se a vontade se quiser respondê-las ou não. Pergunto justamente porque estava estudando alguns assuntos assim, e seus posts são de extrema qualidade e conhecimento, voce vê a problemática de poder como uma estrutura? Um padrão humano? E se mesmo em tempos como descrito, de abuso de poder entre os concentradores de tal poder, podemos entender ou não que estamos em uma dinâmica social melhor do que já foi até o momento? O que não quer dizer que é o bastante. Essa última questão venho me debruçando, pois ainda que uma democracia a desejar, vejo ainda como melhor modelo, nos países democráticos claro, até o momento. Ao mesmo tempo que a concentração desproporcional de renda, lembrando as castas que vejo no Brasil, ainda é tão grande que me leva a questionar em como podemos inferir positivamente nessa problemática humana, e se haveria um modelo de organização melhor, mais descentralizado. Em um país que presencio a miséria, ontem saiu uma nota de um senador que dizia ser normal ter 200 mil reais em casa. É muito desproporcional a maioria da população. E sem crítica nenhuma, pois era normal para o mesmo. Ao mesmo tempo que temos nos últimos 16 anos, um governo que se disse de esquerda, e o que mais foi de fato, ainda que longe de balançar os alicerces estruturais da centralização do Brasil. E cresce k clamor por uma intervenção federal militar, por parte de muitos populares de varias classes sociais, no outro extremo populares crentes em uma ideologia lutam pelo político Lula, preso na investigação lava jato, uma prisão que é muito controversa, mesmo no mundo jurídico, o que não quer dizer que o mesmo não seja corrupto. Acaba que vivemos os dois polos, é um horizonte onde não vemos a descentralização do poder, e até maior centralização.

O Poder atual já nada tem de democrático desde que os políticos eleitos são pessoas dos negócios e com fortunas pessoais, que não têm visão nenhuma dos excluídos que não têm acesso á informação e á economia.
Por outro lado as multinacionais começam a mandar mais nos governos forçando a aprovação de medidas que os favorecem os interesses dos políticos, depauperando o dinheiro do erário público.
O roubo do dinheiro de cofres de estado devia ser um crime capital como o assassínio, pois roubar dinheiro público é provocar um genocídio na classe dos desfavorecidos.
O problema não é do Brasil mas sim de todos os Estados e Governos que se fecharam na gaiola do exercício do poder, sem terem soluções para os problemas dos cidadãos, que deveriam superintender aqueles que elegem numa burocracia participativa chamada eleições em "democracia"(governo do povo), em que são roubados todos os nossos direitos de propriétários do Estado, porque a lógica da democracia seria as pessoas mandarem nos Governos.
Não é nem a esquerda nem a direita que têm soluções mas têm sim obssessão pelo poder e fascinação pela corrupção para subir a pirâmide do aparelho político centralizado.
Os cidadão terão de criar movimentos cívicos populares com a filosofia da descentralização, para substituir a corrupção endémica generalizada dos atuais aparelhos políticos e partidários.
O excesso de poder só pode ser combatido através da exigência de exercer os nossos direitos.
Por exemplo em Portugal não se pode ser eleito se não se pertence a um Partido, inviabilizando toda a participação de visões alternativas na voz da governação.
O sistema de solução da Islândia é a única, prender todos os responsáveis pelo desvio dos bens públicos para favorecimento do poder privado do dinheiro.
As fábricas de plásticos ganham milhões mas serão os contribuintes que irão pagar a "limpeza" dos "estragos" que eles fazem na saúde da Mar, da Natureza e das pessoas.

Realmente. É uma esperança a blockchain nesse processo descentralizador, desde a função monetária, até a função fiscalizadora. A descentralização não chega a população, e é interessante saber que muitos lugares são assim. Até leio sobre a politica internacional, porem conheço poucas pessoas de fora do Brasil, e nunca saí do Brasil. Obrigado pelos posts, e pela resposta, que condiz com a qualidade dos temas que você nos traz, é um aprendizado ler seu trabalho. Vamos lutar e torcer, para que a democracia seja de fato real, e por mais que os rumos não sejam dos melhores, tenho muita esperança que estamos caminhando para uma descentralização de fato.

Lutar contra o Poder, a meu ver, é uma luta um pouco inglória, mas, por outro lado, é uma luta necessária. É necessário refletir sobre o poder existente sob a população mundial na atualidade e ver as coisas como elas são. É necessário despertar mentes e caminhar lentamente para a mudança. E, sim, a música é uma excelente forma para acordar as grandes massas! Muito obrigada pelo seu post, @charlie777pt !!

A melhor luta contra o Poder centralizado é o processo de consciencialização dos seus efeitos e pela ação conseguir mais participação e menos concentração, usando modelos descentralizados que tornem os atuais obsoletos.