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Cada homem, cada ser humano vivo, só está aqui hoje, sem exceção, por que foi trazido ao mundo por uma mulher. Que em uma hora de aflição, num estado de quase transe catártico colocou no mundo através do parto um bebê. Só esse tema em si é quase um convite automático à contemplação meditativa da complexidade da vida humana na terra. Precisamos da mãe, da mulher para vir ao mundo.

Nossas mães são portais, é o único jeito de vir a terra.

É muito sensível escrever sobre isso agora, por que sempre haverão aqueles que por diferentes motivos não tiveram a oportunidade de ter a própria mãe por perto, como exemplo, minha própria mãe, que perdeu a sua (minha avó) aos 4 anos de idade. E isso certamente não é algo certo, mas infelizmente acontece. O mundo é muito difícil de compreender e muita coisa não parece justa de fato. O provável é que se ela tivesse sua mãe por longos anos, tudo poderia ser diferente para bom ou ruim, mas diferente, e quem sabe até mesmo meu ano de nascimento, se eu nascesse, inclusive.
O que sei, é que não há como não comemorar o dia da pessoa que é responsável pela nossa inserção nesse louco mundo. Uma oportunidade para ser vivo, ser ciente, existir.

Isso também é muito superficial de dizer, eu sei, por que afinal, se eu não existisse aqui, hoje, pelas circunstâncias que me trouxeram a esse quadrante galáctico, com as conexões genéticas de meu pai e de minha mãe, seria eu algo em algum outro lugar? Seria consciência ainda? Existo além da concepção? Não vamos entrar nessa agora. O que quero é apenas contemplar essa mágica humana de gerar vida em primeiro lugar, e então, aproveitar para apoiar-se na observação da magia de uma infância bem vivida ao lado de uma mãe.

Como já contei em antigos textos aqui no Steemit, a presença de meu pai sempre foi num "quase segundo plano", não era ausente, mas não era de fato constantemente presente, de forma que minha infância primordial, dos anos que adquiri consciência de estar vivo, até os cinco anos, quando entrei na escola, tive infinitas ótimas memórias. Minha mãe sempre foi muito dedicada em dar seu melhor para minha educação, sempre fui muito bem cuidado e inclusive hoje em dia partes de mim entram em paranoia achando que fui mimado demais, e na psicologia sabemos bem o que isso causa.

Tive oportunidades de vivenciar o mundo muito bem, me cobrindo da lama e terra, brincando de todo tipo de coisa sem restrições, inventando brincadeiras incríveis, sendo estimulado a desenhar e pintar sempre (o que faço questão de reforçar com a minha filha, pois isso é algo incrível), a ler muito (lembro que a mãe fez assinatura das revistinhas da Turma da mônica, no tempo áureo da coleção), então, certamente só tenho memórias positivas em relação a educação ao amor e carinho que ela me deu, sei que, disso eu não tive falta!

E hoje sendo pai, sei bem, muito bem o quão LOUCO é você observar aquele pequeno ser vivo ali olhando pra você e esperando uma ação ou resposta, um ser que tem como mundo principal você e a mãe dela. Isso é não apenas fascinante, mas assustador! É uma responsabilidade arrebatadora, que, te coloca pra resolver aqui e agora, dar um jeito, por que sua filha precisa e pronto, não é tempo de divagar, é cuidar e fazer! É claro que o instinto cuida bem disso, que por natureza damos um jeito e para provar isso aí estão tantas crianças que mesmo mal cuidadas ou não cuidadas, seguem a vida e crescem, vivem, nem sempre tão bem, mas dão um jeito.

Esse pequeno texto é apenas uma humilde homenagem a todas as mulheres que acreditam e respeitam a maternidade, que entendem a importância desse papel quando assumido e também a aquelas que mesmo em conflito ao descobrirem-se grávidas, foram forte o bastante para serem fortes e seguirem com essa criação tão única. Obrigado por fazerem o mundo um lugar possível.


Carl Eugene Mulertt American, 1869-1915 Mother and Children at the Beach.jpg
Carl Eugene Mulertt American - Mother and Children at the Beach
Fonte da imagem

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Excelente post como sempre, sobre material interior partilhado que exige verdadeiro envolvimento pessoal.
Este post recorda-me o assunto que abordei no meu último post sobre Otto Rank que refere o primeiro trauma da separação da mãe e do útero.
A vida é marcada pela separação da mãe, começando com o tapa na bunda do bebê, e o corte do cordão umbilical, que é a nossa primeira cicatriz da separação na vida, que permanece para sempre no umbigo como uma marca inicial do nosso processo de individualização.
Poucas pessoas falam disso mas a mãe sofre também o processo difícil e doloroso do nascimento e da separação de uma parte dela própria, mas ligada por um cordão umbilical que se mantém invísivel mas atuante na construção da personalidade da criança.
Tive um pai muito presente e educador, mas usando um princípio terrível de nazismo/anarquismo, em que tinha liberdade total, mas sempre que não cumprisse com as responsabilidades numa área perdia todos os meus privilégios para sempre.
Ex: Recebi a chave de casa aos 8 anos e uma mota( em África - incrível hehe) , mas se alguma vez não estivesse pronto ás 6 h e 30 da manhã ou partisse a moto perderia para sempre esses tesouros que me fizeram ser totalmente independente e autónomo.
Neste tipos de post deveria haver mais comentários, se houverem leitores interessados no Steemit.
Venha mais. :)

Muito bom seu relato, charlie777pt, inclusive, seria ótimo ler mais de suas histórias de infância! Obrigado pelo comentário! Abraço.

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Belo texto meu amigo!

Gostaria que escrevesse numa outra hora a respeito disso:

"se eu não existisse aqui, hoje, pelas circunstâncias que me trouxeram a esse quadrante galáctico, com as conexões genéticas de meu pai e de minha mãe, seria eu algo em algum outro lugar? Seria consciência ainda? Existo além da concepção? Não vamos entrar nessa agora."

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Valeu meu amigo! É um bom tema. Quando for o momento escreverei então.

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