Fragmentos diários

in #ptlast year
Já são sete horas, já está na hora de levantar. Eu sei que se fechar os olhos sem aquela força mental lembrando que é apenas para piscar, eu acabarei acordando dez minutos depois, atrasado. Eu nem tento, essa brincadeira de acordar e dormir só piora as coisas, mas de qualquer forma tenho uma sucessão de 5 despertadores para a manhã, das sete às sete e trinta, de cinco em cinco. Por que preciso fazer essa divisão. Nos dias que Clarice, minha filha dorme aqui, o tempo cronometrado envolve fazer mamá, ligar a tv num volume suave, pegar ela ainda meio dormindo da cama e levar no sofá dando aquele bom dia suave, dar o mamá, vesti-la, me vestir, tentar desamassar o rosto da noite passada (que sempre é mais curta do que deveria ser), conferir a mochila e tudo mais e então levá-la para a escola.

Nos dias que ela não dorme aqui, eu acordo no mesmo horário, por que afinal, meia hora a mais de cama só ia deixar meu sistema zoado para a manhã seguinte. E aproveito os quinze ou vinte minutos para ler, estou lendo Cristianismo Puro e Simples do C S Lewis, e vocês? É um livro interessante, já faz tempo que queria dar uma chance a entender o cristianismo sem o repúdio juvenil que sempre me garantiu distancia da igreja. Hoje observo o cristianismo como uma religião muito séria e válida, mas sinceramente tenho dificuldade com suas crenças. Mas, melhor deixar isso para outro post.

No caminho da escola (por que indiferente dela dormir aqui, sou eu que tenho carro, nessa relação de separação, e então cabe a mim, levá-la para a escola todos os dias), não me incomoda, as vezes é bom sair de manhã. Mas as vezes também é um pouco desmotivador, por que, estando numa fase meio perdida como estou, me vejo voltando de carro para casa depois de deixa-la lá e questiono a mim mesmo: O que será de meu dia?
São tantas possibilidades não é mesmo? Tudo pode ser feito quando se está de certa forma "desempregado", mas meu desemprego é relativo, já que estou em um processo de desenvolver meu trabalho com serigrafia, silk screen, mas enquanto o projeto não está completamente consolidado, acabo por ter muito espaço vago no meu dia e esse espaço vago é bastante difícil de preencher, principalmente quando nenhuma atividade parece interessante. Mesmo tendo tempo parar ler dez livros e ver dez filmes, escrever dez artigos aqui, e também no meu outro blog, mesmo tendo tempo para ir cultivar manjericão ou cogumelos, ir fazer exercício física, yoga, correr nas praças da cidade, as vezes tudo que se pode fazer é deitar na cama.

Isso tem cara de depressão ein? Não é novidade, minha natureza infelizmente é melancólica e já aceitei, tive uma longa saga de tratamentos medicamentosos para minha querida e perturbada cabeça nesse ano que se passou e isso, olha só, é um ótimo tema para artigo! Preciso lembrar: Cristianismo e Medicamentos Psiquiátricos, pronto, anotado.
Atualmente estou limpo desses remédios, e tenho me surpreendido com minha estabilidade. É bom saber que consigo manter-me vivo e de pé sem surtar numa crise destruidora. Porém, todavia, encontro-me aqui estagnado por ter perdido o foco, o sentido, a lógica dessa caminhada. Impossível não pensar em Viktor Frankl e seu material riquíssimo sobre seu período nos campos de concentração nazistas. Frankl foi um médico judeu de altíssimo nível, que acabou por incubar seu método de tratamento psicológico/psiquiátrico diretamente enquanto esteve na beira da morte nos campos nazistas e escreveu grandes livros, entre eles: Em busca de sentido.

Eu já li. Mas quem sabe, seja bom ler o próximo. Por que não quero só me sentir um idiota patético por não ver sentido na minha vidinha cheia de comodidades e com tudo na mão enquanto lembro dele procurando sentido no meio da merda e do sangue, misturados com a ponta de uma arma. É claro que ali temos uma situação extrema. Poucas pessoas conheceram dificuldades tão grandes. Cada um tem sua jornada. Eu tenho a minha. O que sei é que é da natureza do homem se apoiar em coisas, mas precisa se ter cuidado nesses apoios.

O meu maior apoio do momento se chama Clarice. Ter esse pequena figura maravilhosa de quase quatro anos de idade me dá energia e intensidade para existir, diariamente. E claro, isso, também virá a ser um post logo mais, logo mais.
E o que é o Steemit nessa história? É mais um ótimo hábito para se ter nesses tempos de inverno que chegam. Poder trocar uma ideia aqui, ler vocês, e poder escrever do jeito que eu gosto, com força e realidade, me alimenta também. É bom estar aqui.

Carl Bloch - Cristo com coroa de espinhos - sem data.png

Como imagem para este post escolhi o Cristo com coroa de espinhos de Carl Bloch, acho seu modo de retratar Jesus bastante intensa e lúcida.

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Boa, @thomashblum! Ótima reflexão, como de costume, bom ler os teus textos novamente. Interessante a forma que escolheste para acalmar e organizar a mente. Também já vivi momentos semelhantes, em outro contexto, onde a leitura, espiritualidade, meditação e uma rotina mais regrada me ajudaram bastante, obrigado por compartilhar ;)

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