Economia 101 - 019 - Carga Tributária

in #pt2 years ago

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Quando falamos de carga tributária, e consequentemente impostos, precisamos nos aprofundar no assunto pois taxações podem comprometer preços de produtos, lucros, quantidade de produtos consumidos, e até mesmo as rendas recebidas, portanto, tentar limitar a questão somente em quem pagará os impostos é ser simplista ao ponto de possivelmente cometer um assassinato econômico. As mudanças na carga tributária repercutem na economia como um todo com uma velocidade surpreendente.

O nosso amigo A. R. J. Turgot que já falamos a algumas postagens atrás, dizia que os impostos afetam diretamente o mercado, e por isso devem ser simplificados ao máximo. Para ele, ninguém deveria ficar de fora da carga tributária e por isso defendia que fosse criado um imposto único que incidisse sobre o total de bens e serviços menos seu valor de depreciação.

Para Turgot e os fisiocratas, a tributação deve ser justa. O conceito de justo neste caso é que pessoas semelhantes devem pagar uma quantia semelhante de impostos, ou seja, pessoas pobres pagam menos impostos e pessoas ricas, mais impostos. Além disso, existia uma ideia de que a tributação deveria ser a mais eficiente possível, no sentido de não perturbar o mercado criando incentivos e desincentivos a fim de ocasionar problemas com a oferta e demanda, em qualquer setor da economia.

Para os favoráveis a carga tributária, existe um modelo de impostos que é totalmente eficiente e justo, que possuem uma sofisticação impar e que define uma carga tributária diferente para cada tipo de bem e serviço, como por exemplo, o fato de produtos essenciais terem os impostos uniformes e aplicados somente a venda de consumidores finais, além de tributar mais a renda, e diminuir os impostos sobre lucros empresariais e rendimentos de capital.

Esse método, como podemos ver é quase averso ao utilizado no Brasil, porém em países desenvolvidos as coisas são muito mais próximas a esta ideia, como por exemplo, na Austrália e países Nórdicos.

Na próxima postagem, vamos falar sobre a divisão do trabalho.



Roberto Ueti

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Interessante, o Brasil precisa muito de uma reforma tributária há anos, mas a mesma não sai do papel por interesses diversos.

A forma com que é feita hoje a arrecadação pesa muito mais nos pobres do que nos multimilionários, ou seja, é muito injusta. Todos países sérios e desenvolvidos tributam mais a renda do que consumo, assim equilibrando ao menos um pouco as coisas. É fato que para se tornar um país minimamente mais justo precisa haver priorizaração da educação, criação de um imposto único e menor para consumo, além da maior tributação sobre lucros/dividendos/fortunas.

Existe um problema na criação de um imposto único, que seria a centralização do imposto na federação. A ideia de criar um imposto unico federal e depois um estadual, até concordo, mas somente um para tudo, já é meio complicado.
Com relação a tributação sobre lucros, dividendos e fortunas, você estaria criando uma dupla tributação quando colocar na renda. Por isso que, é importante a não tributação nestes três items e somente na renda como um todo, assim, o valor arrecadado naquele determinado mês entra como renda e se paga uma valor igual a quem trabalha e recebe o mesmo valor.
Temos que tomar cuidado ao pedir mais prioridades também na educação, pois hoje, com o sistema de von Bismark nas escolas, de nada adiantará. Precisamos privatizar as escolas e descentralizar o ensino, a fim de conseguirmos dar mais liberdade, tanto para as crianças quanto para os pais para poderem educar seus filhos da maneira que quiserem.

Muito legal esse post. Sou bem leiga mas acho que taxas diferentes para categorias diferentes de produtos/serviços talvez seja mais interessantes do que taxas diferentes para diferentes grupos socioeconômicos. Se bem que a cadeia produtiva de cada produto/serviço também deve ser levada em conta, e não apenas a sua categoria, pois poderíamos estar sendo injustos com alguns setores da economia. Mas por outro lado, qual a lógica que existe em o Sr. João do Bolsa Família e o Neymar pagarem o mesmo imposto num saco de feijão? Eu acho tudo muito complexo, e tenho mais dúvidas que certezas. Por isso acho importante esse tipo de conteúdo. A única certeza que eu tenho, é que os mais pobres não sabem nem que pagam impostos (sobre produtos e serviços), na grande maioria das vezes. Todo mundo deveria saber porque e quanto estão pagando de impostos.

Existem em alguns países um imposto de x% para todos os produtos, e isenção para alguns produtos básicos que possui pouco ou nenhuma industrialização. A porcentagem deste imposto é pequena, e a maior parte é em relação a renda.
Como anarcocapitalista, sou totalmente contra qualquer tipo de imposto, mas se formos para ter, que seja em sua maioria relacionado a renda do que ao consumo, assim as pessoas pagam proporcionalmente ao quanto conseguem ter de lucro/renda mensal.

Muito importante conversarmos sobre a economia. Te convido a escutar à um episódio do podcast Under The Skin, no qual o convidado foi o antropologista Jason Hickle https://art19.com/shows/under-the-skin/episodes/33ca79c8-bacf-4952-9099-2ca59613f685/embed# - ele explicou em termos entendíveis coisas complicadas.Captura de Tela 2018-08-22 às 17.04.36.png

Opa. Vou dar uma ouvida. Valeu!

Parabéns, seu post foi selecionado pelo projeto Brazilian Power, cuja meta é incentivar a criação de mais conteúdo de qualidade, conectando a comunidade brasileira e melhorando as recompensas no Steemit. Obrigado!

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"existe um modelo de impostos que é totalmente eficiente e justo, que possuem uma sofisticação impar". Não faço idéia que modelo é este...

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