Economia 101 - 005 - Os Serviços Financeiros

in #pt2 years ago

Economia 101.png


Agora que já sabemos o motivo pelo qual se criou a moeda, precisamos falar sobre a gama de produtos e serviços que foram criados com ela sendo a base principal. Um desses serviços que conhecemos bem é o empréstimo, que acontecia desde a Mesopotâmia a cinco mil anos atrás, mas foi no século XIV que os sistemas bancários que conhecemos foi criado na terra do macarrão e da pizza, mais conhecida como Itália.

Antes de falarmos mais sobre o assunto, precisamos dar uma introdução sobre a história. A peninsula da Itália no dito século era uma terra de várias cidades-estado, onde o comércio fluía igual a 25 de Março em São Paulo. Lá se reuniam comerciantes trazendo produtos da Ásia, Oriente Médio, África e Europa. Veneza e Florença eram as cidades que mais acumularam capital neste período, e onde surgiram os emprestadores de dinheiro, desde agiotas que emprestavam dinheiro penhorando objetos pessoais, até bancos como o Banco de Medici.

O Banco de Medici tinha três fatores para sua diferenciação.

  • Cresceu bastante e rapidamente. Tinha onze filiais espalhadas pela Europa.
  • Todas as filiais eram como se fossem franquias. Cada uma tinha seu sócio que dividia os lucros com a Família Medici.
  • As filiais recebiam grandes quantidades de depósito, multiplicando-se o crédito e consequentemente os lucros.

Esses fatores mostram três importantes conceitos econômicos.

  • Economia de escala. Para uma pessoa, é muito custoso elaborar um contrato de empréstimo, já para um banco, ele pode elaborar mil contratos, quase sem custar nada a mais por isso.
  • Diversificação dos riscos. Os Medici não colocavam todo o seu capital em apenas um investimento, mas sim em vários em diferentes locais, diluindo-se os riscos. Por conta dos sócios dividirem os lucros e prejuízos, eles eram muito cautelosos ao emprestarem dinheiro, pois sabiam que se o empréstimo fosse ruim, eles perderiam dinheiro e teriam que prestar conta com os italianos.
  • Transformação de Ativos. O banco via-se no meio de duas frentes: uma de comerciantes que queriam depositar seu dinheiro em um local seguro e outro de pessoas que queriam empréstimos para fins diversos. Então os bancos tinham o seguinte cenário, tomar empréstimos no curto prazo (pessoas depositando dinheiro no banco) e fazer empréstimos no longo prazo (pessoas pegando empréstimos no banco). Para aumentar ainda mais o lucro, eles utilizavam o dinheiro dos seus clientes que depositavam valores no banco para fazer empréstimos às pessoas que queriam dinheiro, isso fazia com que o banco aumentasse ainda mais seus lucros, mas também criava um ponto vulnerável, caso todos os depositantes quisessem o dinheiro na mesma hora (chamamos este fenômeno de "corrida aos bancos").

Naquela época, emprestar dinheiro na Europa era muitíssimo arriscado devido a duas questões, tempo e distância, o que também é conhecido como "problema fundamental da troca", que nada mais era que o problema relacionado a pessoa pegar a mercadoria ou o dinheiro depois que foi feito o acordo e sumir para algum lugar muito longe. Para mitigar este problema criou-se uma coisa chamada "letra de câmbio", que era uma promessa que alguém iria pagar uma quantia X em uma moeda Y.

Na prática funcionava da seguinte maneira:

Eu tenho 20 sacos de feijão e quero vendê-los por R$100,00 cada um, e você quer comprá-los de mim. Como você não tem o dinheiro neste momento, você assina uma letra de câmbio dizendo que você me deve R$2.000,00 por conta dos 20 sacos de feijão. No momento da assinatura, eu vou até o banco, e troco essa letra de câmbio por, por exemplo, R$1.900,00. Agora você deve ao banco, e eu tenho R$1.900,00 na qual posso comprar 38 sacos de feijão a R$50,00, por exemplo. Bom para mim, que vendi os sacos de feijão e posso comprar mais, bom para você que comprou os meus sacos de feijão e bom para o banco que ganhou R$100,00 simplesmente tomando o risco para ele.

Os bancos mercantis italianos eram exímios com as letras de câmbio, pois eles assumiam o risco do comprador não pagar a dívida, enquanto davam ao vendedor o dinheiro na mão que precisava para conseguir girar mais o seu capital, entretanto, para aceitar as letras de câmbio, eles precisavam de uma coisa chamada informação, pois eles necessitavam saber quem era de confiança ou não, e a falta da mesma poderia ocasionar a sua quebra (a falta de informação também é conhecida como "assimetria de informação").

Para diminuir cada vez mais a assimetria de informação, os bancos começaram a ficar próximos uns dos outros para conseguirem dividir a informação que eles tinham. Esse fenômeno de aglomeração de bancos para dividir informação, chama-se "externalidades da rede".

A necessidade de juntar as pontas de pessoas que tinham dinheiro e as que precisavam de dinheiro criou os bancos que conhecemos hoje, que são uma terceira pessoa confiável, que mantém o fluxo de dinheiro sempre corrente. Na próxima postagem vamos falar sobre a inflação.



Roberto Ueti

Sort:  

Ao ler esse post me lembrei da historia do maior golpe financeiro da historia: dos Rothchilds. Parabens pelo post!


ptgram power | faça parte | grupo steemit brasil

Muito boa a matéria, muitos desconhecem como surgiram as instituições bancárias.

@antigourmet, exatamente. A ideia dessa série de postagens é tirar as dúvidas do pessoal sobre economia. :)

Já perguntei uma vez como pões assim o texto mas nunca fica tão alinhado como o teu, como é que fazes? Fica mesmo bem

Só utilizar uma dos banners já criados @rainofwords. Vou fazer um tutorial sobre o canva, tem bastante gente que está com dúvidas hehehe.

Muito bom, professor Ueti! Já pensou em sê-lo?

[]'s

@casberp, já pensei, mas nunca de economia hehehe!

O projeto ptgram power está votando em você!
Podemos otimizar seu networking e melhorar suas recompensas, enquanto você faz o mesmo pelos outros.

Parabéns, seu post foi selecionado pelo projeto Brazilian Power, cuja meta é incentivar a criação de mais conteúdo de qualidade, conectando a comunidade brasileira e melhorando as recompensas no Steemit. Obrigado!

footer-comentarios-2.jpg