palavras salgadas
Não há em mim mais que um veleiro
Tudo o mais é paixão
É vento
É sentir e sentimento
Já naufraguei já perdi o leme
Já me perdi
Mas que mar seria o meu sem paixão
Ora brisa que me faz suave mareante
Outras vezes tempestade
Que me rasga as velas
Para dar de comer à deriva
Ai de mim sem o vento
Quem me tira da inércia de um cais
Que seria de mim
Se de lá nunca partir
Como voltarei para me abrigar
O que me levou da morte
Da lagoa de margens finitas
Talvez um dia tivera asas
Ou sonhei ter
Terá sido uma brisa talvez
Uma violenta tempestade, não sei
Sei que é neste mar
Onde vivem os ventos temerários
Capazes de fazer navegar com paixão
Capazes de beber todas as lágrimas choradas
E molhar os rostos sequiosos de palavras salgadas
Sei que é nestes mares
Onde escrevo e continuo, perdendo-me
Entre águas dispersas
E encontrando-me em similares olhares
Bonito poema. Muito bem usada a figura do barco impulsionado pelos ventos e pelas brisas dessas águas agitadas, pois é bem a sensação que dá o ímpeto "quase externo" de uma paixão; é como se fôssemos movidos por algo que vem lá de fora, um vento a soprar em nossa vela.
Obrigado @flaviusbusck
Bons ventos! :)
belo poema
Obrigado! :)