Perdão, e retorno.
Peço à todos pelo sumiço que tive mesmo depois de uma apresentação tão animada quanto a que tive sobre meu projeto,mas sinceramente, um desânimo pairou sobre mim àquela época, e de uma forma até positiva me trouxe o que provavelmente publicarei.
E o assunto realmente é esse: desânimo. Não apenas a sensação em si, mas todo emaranhado de situações que o envolve e que podem tomar diferentes rumos. Falo de algo diferente daquele desânimo de receber uma nota baixa, uma briga com a família, com amigos ou professores, ou das mais situações diversas que nos deixam momentaneamente e até por alguns dias tristes, afinal, somos humanos e não máquinas (não esqueça disso nunca!). Eu falo de um estado que é mais gerador de certos problemas em si, do que consequências de ações diárias, como é o caso do momentâneo. Falo de um episódio que tem cerca de 16 a 20 semanas, com cerca de 12% desenvolvendo curso crônico. Falo de algo que em 2020 chegará a ser a doença mais incapacitante nos países em desenvolvimento, superando causas cardíacas, por exemplo. Falo de algo que em cerca de 30 a 50% dos casos não são diagnosticados. Enfim, você a esse ponto já deve estar sabendo do que estou falando (sobre depressão, para aqueles que não entenderam haha), mas sob uma ótica não comumente analisada na realidade: em quem deveria estar tratando desse male mas que sofre tanto quanto qualquer um, e às vezes mais.
A velha ideia de que todo estudante/médico sempre está bem, de bom humor, feliz, satisfeito, ainda presente no imaginário de muitos - e por isso muitas vezes ignorada - quanto comparada à realidade, demonstra um caminho totalmente oposto: estudos divulgados pela USP mostrou recentemente que cerca de 38,2% dos alunos de Medicina apresentavam sintomas depressivos. Dados que não são exclusivos em solo brasileiro : Dubai e Estônia, por exemplo tinham uma média de 29% dos estudantes com tais sintomas.
Convivo diariamente e constantemente com colegas que se dizem "cansados, desanimados, tristes, estressados", dentre outros, e que de forma real me mostram o quão frágil e triste está a realidade de um estudante de Medicina. Fatores como: carga horária elevada, grande volume de matérias, insegurança, cobrança excessiva, são os maiores desencadeantes disso em nossa vida, me tomo como exemplo também.
Há pessoas que conseguem lidar e até se fortalecer com isso tudo, há pessoas que ficam indiferentes, e há aquelas que infelizmente não sabem lidar de forma positiva com isso e desenvolvem problemas de quadro depressivo.
Diante de tal realidade e exposição é que deixo certa reflexão para vocês: será que o sistema de ensino atualmente utilizado nas faculdades em geral estão defasados e precisam de reestruturação, ou será que o sistema já de cara seleciona os mais hábitos (estilo seleção natural mesmo haha) a lidarem com as atividades muito mais estressantes da rotina de um médico? E o quão importante será todo esse processo passado por essa classe, de forma que ele seja necessário para formar apenas os melhores para cuidar da sociedade?
Só mais uma: e será que idealização da classe médica, fazendo ser um dos cursos mais concorridos, tem contribuído de forma significativa para que pessoas que não entrariam , se não fosse por algum tipo de pressão, acabem entrando? E isso influenciar em tais dados negativos?
De uma coisa eu sei: está na hora de pararmos de romantizar o curso, a classe, e encararmos de frente a dura realidade que paira sobre eles.
Links: http://www.scielo.br/pdf/rbem/v39n1/1981-5271-rbem-39-1-0135.pdf
http://www.scielo.br/pdf/rbp/v31s1/a03v31s1.pdf
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