A Psicologia nas operações econômicas - #SaldoPositivo

in #pt2 years ago

Saudações steemers! Venho aqui trazer uma contribuição a nova tag do @fireguardian voltada a um dos maiores temas conhecidos e complexos no mundo, a Economia. #SaldoPositivo é o nome dela, algo importante de se ter em dias atuais, em razão das turbulências que passamos atualmente.

Me lembrei aqui da Psicologia Econômica, uma área das Ciências Psicológicas pouco conhecidas por alguns, até então por mim, que tive que ler muitos materiais para ter uma base de sustentação a esse escrito. Mas vamos lá, vivendo e aprendendo!

Quando se ouve falar de recursos finitos, logo pensamos em dinheiro e nos recursos naturais. Pouco prestamos atenção em relação ao tempo, atenção, capacidade de concentração, esforço, autocontrole e, no entanto, nossa própria vida, pois pensamos que esses últimos são preocupações desnecessárias, e que só o ato de focarmos nos recursos financeiros é o mais importante.

Muitos acabam esquecendo dos fatores comportamentais na hora de fazer uma compra ou investimento, achando que esse assunto de comportamento, mentalidade, etc., cabe mais à parte das Ciências Psicológicas do que das Econômicas, enquanto se pode fazer um cruzamento interdisciplinar entre essas duas grandes áreas.

Alocar dinheiro e outros recursos finitos, distribui-los entre diferentes destinos, é o objeto de estudo da Economia. Examinar em detalhes como a mente realiza essas atividades é o assunto da Psicologia Econômica, e de suas demais correntes teóricas, como a Economia Comportamental, as Finanças Comportamentais, a Neuroeconomia, além das Ciências da Decisão ou Ciências Comportamentais Aplicadas. Como todas essas, a Psicologia Econômica é, portanto, uma área interdisciplinar, situada na interface psicologia-economia, embora tenha se iniciado muitas décadas antes.

Foi com Gabriel Tarde, psicólogo social, que a expressão Psicologia Econômica surgiu inicialmente, no fim do século XIX. Ele afirmava que "os fenômenos econômicos requeriam uma análise mais aprofundada dos elementos psicológicos neles envolvidos." O marco de sua teoria se deu com a publicação de Psychologie Économique, em 1902. Porém, Tarde morreu dois anos depois e sua teoria não teve muita notoriedade na primeira metade do século XX, o que chegou a ser notada nos anos 70, com estudos feitos por George Katona, e posteriormente por Daniel Kahneman, psicólogo especialista em gestão do risco, que ganhou o prêmio Nobel de Economia em 2002 por desenvolver teorias sobre percepções de cenários de riscos.

Kahneman percebeu que o ato de tomar decisões não é algo plenamente objetivo. Nossas emoções, crenças e intuições acabam tendo um peso maior na hora de tomar uma decisão. Esses atributos podem levar a decisões boas ou ruins, no entanto não gostaríamos de depender da emoção para tomar uma decisão séria, que terá impacto na vida de outras pessoas. Esse fato pode explicar porque 55% das famílias brasileiras estão endividadas, sendo que 22,7% delas são inadimplenetes, segundo pesquisa recente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

O pouco desenvolvimento da inteligência emocional do ser humano é crucial quando for tomar uma decisão importante, no que muitas vezes podem ocorrer erros, como bem mostra a pesquisa acima. Pode-se ter muita técnica e habilidades, mas o que pesa mais em momentos assim é a inteligência emocional. Essa área deve ser estudada não só por economistas e pessoas que desejam cuidar melhor de suas finanças, mas também por investidores, até mesmo aqueles de risco. Com crises enfrentadas e novas descobertas, pesquisadores percebem que apenas números não garantem que algo vai bem, mas a previsibilidade aumenta quando se olha para o aspecto psicológico dos operadores da economia.

Com isso, Kahneman usou a psicologia Cognitiva para se embasar na sua Teoria da Perspectiva, que possui dois estágios: o de edição, onde situações de risco são simplificadas usando métodos heurísticos de escolha; e o de avaliação, em que alternativas arriscadas são avaliadas usando princípios psicológicos que incluem:

  • Dependência de ponto de referência: ao avaliar os resultados, o tomador de decisão tem em mente um ponto de referência. Os resultados são então comparados a esse ponto determinado e classificados como "ganhos" se maiores que o ponto, e "perdas" se menores que ele.

  • Aversão à perda: perdas desagradam mais que ganhos equivalentes. Numa pesquisa feita em 1992, Kahneman e seu parceiro Tversky descobriram que o coeficiente médio de aversão à perda era de cerca de 2,25, ou seja, as perdas infligiam cerca de 2,25 vezes mais do que os ganhos equivalentes.

  • Diminuição da sensibilidade a ganhos e perdas: À medida que o tamanho dos ganhos e perdas em relação ao ponto de referência aumenta em valor absoluto, o efeito marginal da utilidade ou a satisfação do tomador de decisão diminui.

No entanto, ao levarmos em consideração as concepções da Psicologia Econômica, é possível chegar aos conceitos de neuroeconomia. Frequentemente, no cérebro há disputa da razão contra a emoção nos momentos de investir, poupar, comprar, aplicar o dinheiro em algo importante. De qualquer maneira, compreender o ser humano representa ponto essencial no sentido da motivação. Esta incorporação do pensamento como variável representa fonte primária das mudanças no comportamento em nível pessoal e individual.

"A economia não lida com coisas e objetos materiais tangíveis, trata dos homens, suas ações e propósitos." - Como diria Ludwig von Mises

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