Mulheres Padaung - “Mulheres-girafa”
Ao longo dos anos sempre tive uma enorme curiosidade de conhecer a história das mulheres Padaung mais conhecidas, em todo o mundo, por “mulheres girafa”, pertencentes à etnia Kayan.
Devido aos conflitos e à brutalidade do regime militar de Myanmar (Birmânia) muitas tribos Kayan fugiram e procuraram refúgio nas montanhas do noroeste da Tailândia.
Durante minha última visita à Tailândia, mais propriamente a Chiang Mai, tive oportunidade de visitar uma pequena aldeia onde vivem estas mulheres (e homens) e conhecer um pouco melhor a sua história.
É uma história triste e desumana como todas as histórias dos refugiados. Não é uma experiência agradável, pelo menos para mim não foi. Esta etnia, a que pertencem essas mulheres, não tem direitos e encontram-se proibidos de sair das áreas que lhe estão limitadas.
A dificuldade de conseguirem emprego é muito grande bem como de acederem à escola, vivendo em aldeias sem eletricidade e água corrente.
Os homens dedicando-se aos trabalhos no campo enquanto as mulheres e as crianças vendem artesanato aos turistas.
Como forma de obterem receitas, estas aldeias tornaram-se um ponto de atração turística, onde as mulheres ornamentadas com os seus anéis de cobre no pescoço produzem e vendem o artesanato por elas produzidos e estão prontas para ser fotografadas.
Muito se diz sobre o verdadeiro motivo de estas mulheres usarem os anéis no pescoço como forma de o alongar. Trata-se de uma tradição é secular onde não se sabe ao certo o que o motivou.
Existem diversas lendas à volta da origem da utilização destas argolas, para uns é um sinal de beleza, para outros seria uma forma de protecção contra os ataques dos tigres e existe ainda outra vertente que seria para punir as mulheres adúlteras.
Como disse anteriormente, gostaria de transmitir que a minha sensação foi de desconforto e de uma certa raiva pela forma como vive esta etnia. Se por um lado, é o turismo que suporta financeiramente estas aldeias, por outro, a forma como são explorados e desrespeito pelos mais elementares direitos humanos, levou-me a querer sair o mais rapidamente possível daquela aldeia.
De todos os artigos que li sobre este assunto a frase mais me marcou foi “vivem presas num zoológico e tem poucas chances de sair dali”.
Sim, foi isso que eu senti…
Como podem acontecer situações como esta em pleno século XXI?
Os “guetos” em que vivem milhares de refugiados, no futuro, também irão tornar-se locais turísticos onde os mais básicos direitos humanos serão espezinhados?
Os direitos humanos são um chavão ou são só para serem aplicados a uma parte do mundo???
"O mundo pode ser um palco. Mas o elenco é um horror."
Friedrich Nietzsche
Bem hajam por pela vossa visita.
Feliz sexta-feira!!!
Fotografias @ginga.
Tenho mixed feelings quanto a ir a esse lugar... uma tristeza. Mil beijinhos, minha querida
Percebo perfeitamente o teu "mixed feelings". Elas são lindas, bem educadas e gentis mas tu sentes que estás a invadir o espaço e a liberdade individual de cada uma delas. Nunca pensei que ia ter a reacção que tive. Beijo grande, minha querida.
Beijos sem fim, linda!