#FILMOTECA# - "Doidas e Santas" (2017)

in filmoteca •  2 months ago

Fonte: Divulgação (Globo Filmes)

Sinopse: Após 20 anos de casamento, Beatriz, uma escritora e terapeuta especialista em problemas conjugais decide mudar de vida. Para tanto, ela resolve se divorciar e experimentar um mundo até então desconhecido.

Chega um momento na vida de toda pessoa em que nós paramos um pouco para avaliar o que conquistamos até então... E para infelicidade de milhões, é preciso rever alguns conceitos para mudar os rumos dos próximos acontecimentos (inclusive, algumas vezes, fazemos isso de maneira bem radical). Não há nada de mal nisso, mas é preciso aprender a lidar com as consequências dessas escolhas e é basicamente essa discussão que Doidas e Santas tenta trazer, mas falha de uma forma bem frustrante.

Fonte: Divulgação (Terra)

Sem conseguir mais aguentar a monotonia e a falta de amor no próprio casamento, Beatriz ainda tem que lidar com a desafiadora fase da filha adolescente que começa lhe trazer problemas inesperados, com uma irmã ausente que vive para lutar em prol de causas ambientalistas ao redor do mundo e com uma mãe idosa super ativa que sempre está aprontando alguma confusão... Um cenário que para Beatriz, que está a beira do caos.

O roteiro se esforça ser engraçado ao tentar abraçar vários caminhos (literalmente, sai atirando para todos os lados ao fazer sinal para diversas vertentes) mas infelizmente não consegue - de fato - dar conta de nenhum deles com sobriedade. Praticamente todos os argumentos, apesar de importantes, são falhos em sua execução fazendo com que o filme torne-se uma verdadeira experiência de monotonia com pouquíssimas cenas que valem à pena serem assistidas.

Fonte: Divulgação (CinemAqui)

Personagens desinteressantes e, em sua maioria, completamente rasos dão o tom da "comédia" (que ainda tenta flertar com o drama em alguns momentos... aliás, um dos raros bons momentos do longa). No elenco, quem posa de protagonista é a Maria Paula (que aqui, oferece ao telespectador uma de suas piores e mais "robóticas" performances), mas quem acaba roubando a cena é a veterana Nicette Bruno (algo que ela faz mais pelo talento do que pelas piadas que os roteiristas deram ao personagem dela) que acaba apontando o norte para o andamento do filme.

Além da questão de falta do roteiro fraco e que descamba facilmente para uma escrita bem desleixada e também do elenco risível (ah, diga-se de passagem... aparece uma lista de atores globais fazendo péssimas figurações aqui e ali durante a projeção), os aspectos técnicos são péssimos: edição de cenas feita "nas coxas" (com erros até visíveis em alguns momentos), uma trilha sonora clichê e uma fotografia que é aliada a cenários que precários (e os poucos bons que são mostrados, são mal utilizados).

Fonte: Divulgação (Luz, Câmera e Café)

Não é preciso nem muito esforço para notar o quão ruim é o trabalho do diretor Paulo Thiago. Tudo corre solto, como se - de fato - não houvesse alguém coordenando as gravações e a bagunça se apossa do projeto de uma forma bem pesada. O elenco está disperso, em vários momentos à condução da narrativa não faz muito sentido (principalmente porque são mal trabalhadas) e alguns erros de continuidade fazem tudo adquirir um tom acentuado de "amadorismo", algo bem insosso de se acompanhar.

Vale ressaltar que há uma tentativa forte do roteiro em abordar a questão do empoderamento feminino e da liberdade de escolhas da mulher (e é óbvio que isso tudo é extremamente válido)... Porém, o filme não mergulha nas próprias ideias e acaba deixando passar ótimas oportunidades de criar cenas realmente engraçadas e quem sabe, até estabelecer uma linha narrativa mais envolvente na questão dos dramas que tanto tenta abordar em seus 90 minutos.

Fonte: Divulgação (Observatório do Cinema)

Em se tratando de comédia nacional, Doidas e Santas é, de longe (apesar de ter boas intenções espalhadas ao longo de vários momentos), um dos títulos brasileiros mais fracos que temos em nossa prateleira... Mas não é de todo mal, porque ainda que o filme não consiga arrancar gargalhadas verdadeiras do público (algo que é muito preocupante, porque trata-se de uma comédia) ao menos consegue jogar na tela alguns temas relevantes e que merecem ser refletidos.

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