#FILMOTECA# - "At Eternity's Gate" | "No Portal da Eternidade" (2018)

in filmoteca •  13 days ago

Fonte: Divulgação (IMP Awards)

Sinopse: Em 1888, Vincent Van Gogh vivia em Arles. Recluso e melancólico, ele tentava decifrar seus pensamentos enquanto pintava um dos quadros mais famosos na história da arte moderna: Quarto em Arles.

Todo mundo tem alguns demônios interiorizados que precisam, de alguma forma, ser exorcizados, não é? Mais cedo ou mais tarde, isso acaba acontecendo com todos nós. No entanto, com aquelas pessoas que dedicam-se as artes, parece que esse aspecto acaba sendo algo mais latente... E isso geralmente se reflete em diversos resultados, como por exemplo: introspecção, depressão entre outros cenários mais desoladores. No Portal da Eternidade trás isso (e muito mais) ao coloca o pintor Van Gogh em foco de uma maneira absurdamente incrível.

Fonte: Divulgação (Almanaque Virtual)

Prepare-se para uma biografia não-convencional. Não espere por uma narrativa sequenciada (aqueles que geralmente mostram os acontecimentos de maneira muito didática) e muito menos por personagens demasiadamente carismáticos (onde muito tem a função de apenas cativar o público e não oferecer nada em troca). O que se vê aqui - e de maneira bem sólida - é a representação de um ser humano com uma habilidade fantástica em captar desenhos em formas de pinturas no seu mundo particular de isolamento e incompreensão.

Transtornado por seus dilemas internos, Van Gogh é pintado na tela como a figura que ele realmente foi: complexo, mas extremamente habilidoso em seu ofício. Vivendo em uma constante melancolia e devaneios, ele mergulha constantemente em águas turvas e isso é muito bem representado por Willem Dafoe (indicado ao Oscar de Melhor Ator em 2019 por essa atuação... algo que por si só deixa claro o peso da sua performance nesse filme, que é de longe, uma das melhores da carreira dele) em uma obra dotada uma alta sensibilidade poética.

Fonte: Divulgação (The New York Times)

Nas mãos do diretor Julian Schnabel (que aqui, demonstra sempre ter o controle sobre o seu trabalho), o filme ganha contornos que misturam o realismo e o surrealismo de uma maneira quase tangível aos espectadores. A maneira como ele escolheu filmar o longa oferece uma experiência imersiva no roteiro, possibilitando que o público possa ver as obras de Van Gogh de uma maneira viva e pela perspectiva do próprio pintor.

Um jogo de câmeras extremamente eficiente se reveza na tela para que sejam conseguidos os takes ideais - muitos deles extremamente pontuais - , para possibilitar essa ideia de aproximação (torando a experiência ainda mais pessoal). O trabalho de edição de cenas aqui é fundamental, porque corrobora fortemente na fidelização dessa ideia que apensa falando não é tão simples de ser explicada (basicamente, você tem que assistir ao filme para poder sentir isso).

Fonte: Divulgação (Festival do Rio)

Outros aspectos técnicos também merecem destaque, como por exemplo: a edição de arte trabalhando com a fotografia (que em momentos bem específicos, são de uma eficácia estupenda!), a trilha sonora que é bem simples, mas extremamente tocante e a iluminação, que é muito bem arquitetada para criar os tons mais apropriados para cada cena de uma maneira bem precisa e mais assertiva, tornando até os pequenos detalhes em uma parte essencial da trama.

Tudo funciona de maneira bem alinhada, desde o roteiro, passando pela direção, pelo elenco / personagens e demais setores, o nível de credibilidade apresentado aqui pode até ser considerado como algo contigo para muitas pessoas... Mas certamente, é uma das cinebiografias mais diferentes (no melhor sentido da palavra, obviamente) que já foram realizadas.

Fonte: Divulgação (Trailer Addicted)

No Portal da Eternidade é um filme extremamente interessante e bem produzido (mesmo para aqueles que não gostam de cinebiografias)... Principalmente por conseguir transpor para as telas uma boa parte da polêmica história vivenciada por aquele que é considerado como um dos pintores mais influentes no cenário histórico relacionado à arte moderna de uma maneira tão humana.

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