#BOX DE SÉRIES# - "The Nanny" (1993-1999)
Trabalhar de porta em porta vendendo cosméticos após ter perdido o seu emprego formal (na loja de noivas do ex-namorado) é ao que se resume a vida de Fran Fine. Desiludida com a vida que anda levando (tanto profissionalmente quanto pessoalmente), ela se depara com uma situação inusitada quando ao bater na porta de Maxwell Sheffield - um produtor de espetáculos da Broadway - acaba sendo confundida com a babá que ele havia contratado.
Aproveitando essa falha de Sheffiled, Fran logo trata de aprender a como ser uma babá de verdade (já que até então ela não entendia nada sobre o assunto) e após ser contratada, agora se vê responsável pelos cuidados de 3 crianças com personalidades completamente diferentes (algo que desafia ainda mais a paciência dela). No entanto, Fran encara a situação como um "caminho sem saída", visando a estabilidade financeira e a moradia / alimentação que ela passou a receber pelo seu trabalho.
No seu dia-a-dia, a babá precisa lidar com outras situações adversas ao seu trabalho e isso inclui ajudar ao devotado mordomo da família (Niles) a atormentar a vida da sócia de Maxwell (C.C. Babcock, que é apaixonada por ele) para que ele não perca o posto de fiel escudeiro da casa... Além disso, Fran precisa administrar as constantes visitas de parentes inconvenientes (a mãe Sylvia e a Yetta) e a presença da solitária amiga Val (que costuma sempre - ainda que de forma não-intencional - colocar a babá em altas confusões).
O roteiro dessa série é um dos aspectos que mais chama a atenção do telespectador logo de início. Repleto de humor para toda a família e ótimas tiradas cômicas (boa parte delas sempre muito rápidas e inteligentes), a cada novo episódio é possível entrar cada vez mais na vida dos personagens e aproveitar a jornada junto com eles. Tudo de forma orgânica, sem força algum tipo de caricatura exagerada ou apelar para a utilização de humor físico.
Em um certo momento (quando a história já está bem evoluída) é possível ter a sensação de que você na verdade agora faz parte daquela família e começa a se importar com o que vai acabar acontecendo com eles no futuro. É uma relação de empatia natural que surge por parte do público com relação aos personagens e por suas respectivas histórias (que incluem a participação de várias celebridades - como por exemplo: Ray Charles, Whoopi Goldberg e Jay Leno - em alguns episódios pontuais).
As características do perfil que compõe cada personagem são bem definidas. Isso facilita a identificação por parte do público que se vê cada vez mais dentro de todas as aventuras e desventuras que vão surgindo no caminho deles e o ótimo elenco principal (com destaque óbvio para Fran Drescher que dá um show de interpretação, carisma e irreverência ao construir uma personagem tão cativante e dona de uma risada que é um verdadeiro patrimônio da TV, haha!) merece uma boa parte dos créditos porque eles trabalham com uma sintonia muito legal e que é nítida na tela.
O trabalho que é feito com a direção dos episódios garante isso, porque os diretores sempre procura manter uma constância na presença recorrente dos personagens (protagonistas e coadjuvantes) e conseguem - além de extrair o melhor de cada ator/atriz - distribuí-los de forma satisfatória em seus respectivos núcleos, mantendo todos em órbita e em constante desenvolvimento (algo que não é visto de forma tão natural em sitcons).
A interdependência entre as histórias dos episódios não incomoda, mas ainda sim, a produção se preocupa em criar links relevantes para manter o elo entre algumas situações que vão se tornando marcantes na formação da trama (outro ótimo trabalho advindo dos diretores e dos roteiristas) e mostrando para o público o quanto os responsáveis pelo sucesso da série se preocupam com a história que está sendo contada.
The Nanny conseguiu se manter como um dos grandes sucessos da rede CBS por conseguir manter durante as suas 6 temporadas (e 146 episódios no total) um alto nível de irreverência genuíno através de premissas simples, mas que sempre tinham uma espécie de lição de moral a "ensinar" assim que se encerrava alguma história.
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