Economia 101 - 011 - Fluxo Circular do Dinheiro

in #pt2 years ago (edited)

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Antes de começarmos a falar sobre o fluxo circular do dinheiro, precisamos entender os dois modos de analisar a economia. Como a economia é algo muito complexa e às vezes, questões que englobam muitas variáveis são inversas as que englobam menos variáveis, criou-se duas vertentes básicas na economia. A macroeconomia e a microeconomia.

Os fisiocratas, que foram explicados na postagem anterior, eram pensadores macroeconômicos, ou seja, eles tentavam analisar a economia mundial, ou no mínimo uma sociedade ou país. Diferentemente dos mercantilistas que queriam o Estado intervindo na economia através de compra de ouro, aumentando os subsídios e impostos além de dar privilégios aos monopolistas, os fisiocratas tinham uma visão totalmente contrária, onde eles comentavam que a economia conseguia regular-se naturalmente, e ela só precisava de uma proteção contra as pessoas que queria tentar influenciá-la negativamente. Devido a isso, os fisiocratas defendiam baixos impostos, direitos a propriedades garantidos e dívida pública baixíssima.

Para os fisiocratas, dinheiro na mão dos pobres, que gastam, é muito melhor para uma economia do que nas mãos dos ricos, que poupam. A circulação do dinheiro é mais importante do que o acúmulo do mesmo, pois o movimento dele é que faz com que a economia seja próspera, na visão deles.

Os fisiocratas tinham a seguinte linha de pensamento:

As pessoas que eram donas das terras agrícolas cobravam aluguéis dos agricultores...
O dinheiro que eles recebiam, compravam os produtos dos agricultores e dos artesãos...
Os agricultores compravam produtos dos artesãos e os artesãos dos agricultores...
Essa atividade de compra e venda acontece várias vezes em vários níveis...
Consequentemente, o dinheiro flui entre os produtores e consumidores...

Pensando nisso, os fisiocratas imaginavam que os agricultores eram os únicos que poderiam ter um excedente liquido, pois tiravam da terra este excedente. Em um exemplo:

Um dono de terras recebe um milhão de reais dos agricultores pelos aluguéis, porém eles não produzem nada, apenas gastam, comprando os produtos dos agricultores e artesãos. Os agricultores com um milhão de reais, investem este dinheiro em maquinários e bens de produção para transformá-los em três milhões. Um milhão pagam os donos das terras, um milhão utilizam para comprar os produtos dos artesãos para sobreviver e um milhão guardam para a próxima safra.

Essa ideia foi abraçada por John Maynard Keynes em 1930 quando dizia que os gastos públicos numa economia em depressão causavam benefícios secundários em uma economia. As ideias de produtividade e improdutividade que foram abordadas pelos fisiocratas (para eles somente os agricultores realmente produziam, ou seja, tinham excedente liquido) ainda permeiam as discussões, porém com outros olhares, como a indústria versus os serviços, ou o setor privado versus governo.

Apesar de parecer boba a ideia de que os agricultores são os únicos que produzem, para a época, foi um passo excepcionalmente grande para as análises econômicas, pois ela abriu a porta para análise de interdependência de produtores e consumidores, pois em um exemplo prático, as empresas precisam que consumidores paguem pelos seus produtos e serviços, mas dá aos mesmos consumidores trabalhos que são pagos através de salários e dividendos.

Por fim, este modelo clássico se baseia em três fatores produtivos: terra, trabalho e capital.

Os proprietários das terras recebem aluguel para esbanjar em produtos de luxo, os trabalhadores aceitam salários baixos e caso o mesmo suba, conseguem ter mais filhos, os empreendedores pegam os lucros e reinvestem em suas empresas aumentando a produção e a quantidade de empregos. Por fim, o lucro incentiva o crescimento.

O modelo clássico também foi utilizado por Karl Marx para fazer a crítica ao capitalismo, como já conhecemos. O que na época poderia fazer sentido, hoje, já sabemos que possui diversas falhas em conceitos e premissas.

Na próxima postagem vamos falar sobre os bens e serviços públicos.



Roberto Ueti

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Bom post. Na verdade necessita ser algo cíclico, pois se o dinheiro ficar parado em algum lugar gera um problema na economia, ou estou equivocado?


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Na verdade depende @antigourmet. Se o dinheiro estiver poupado ele não gera problema na economia, pois a preferência temporal das pessoas está sendo o longo prazo, o que faz com que a movimentação do dinheiro possa até diminuir, mas seu valor aumente.

Legal, por esse motivo que quanto mais dinheiro se imprime menor o valor do mesmo, quanto mais moeda em circulação menor seu valor. Obrigado pelo esclarecimento.

Exato. Então quando ouvimos algum candidato falar que vai injetar dinheiro na economia, cuidado, porque ele tá querendo aumentar o dinheiro e consequentemente a inflação.

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