Destino: Independência Financeira - #2: Sob um tecto orçamental (pt. 1)

in #pt2 years ago (edited)


No primeiro post desta série expus o meu passado de despreocupação e inconsciência financeira, e o gatilho que me fez derpertar para a realidade das finanças pessoais e me deu a motivação que eu tanto precisava para delinear e seguir um plano.

Neste segundo post, pretendo falar sobre uma das ferramentas basilares do controlo financeiro: um ORÇAMENTO!

A versão online do Cambridge Dictionary define orçamento (budget) como:

  1. Um plano que mostra quanto dinheiro uma pessoa ou organização ganha e quanto precisará ou poderá gastar
  1. A quantidade de dinheiro disponível para gastar

Portanto, um orçamento será uma ferramenta que permite planificar os usos a dar ao valor monetário que temos ao nosso dispor, atendendo às despesas fixas a que estamos obrigados.
De forma simples, permite-nos visualizar, para um determinado mês, o dinheiro que teremos disponível, depois de pagarmos as despesas que conseguimos prever (renda de casa, serviço de Internet, água, gás, e electricidade, por exemplo). Esta planificação permite uma abordagem PROACTIVA, em vez de reactiva, em relação ao nosso dinheiro. Mais importante do que prever o futuro, um orçamento quer-se realista, procurando:

  1. Priorizar o pagamento de despesas fixas evitando criar situações de endividamento
  2. Poupar proactivamente para despesas de ciclos de vencimento superior a um mês evitando “surpresas” previsíveis
  3. Preparar-se para imprevistos, consolidando o hábito de poupar e criar um fundo de emergência.
  4. Manter registo de quanto gastamos e em que gastamos para melhor conhecer o nosso perfil enquanto consumidores, permitindo ajustes e correcções.
  5. Criar uma base solida para avançar para investimentos, fazendo o dinheiro TRABALHAR para nós.

Parece uma ferramenta interessante mas, como começar?

Para começar, o mais importante é saber quanto dinheiro temos, quanto gastamos e quanto ganhamos. Portanto, para além do capital atual ao nosso dispor, temos já dois tipos de movimentos, característicos do fluxo de caixa: os rendimentos e as despesas.

  • Quanto às despesas, devemos dividi-las em 2 grandes grupos: necessárias e dispensáveis. As despesas necessárias representam todos aqueles gastos indispensáveis para sobreviver em cada mês, por exemplo a renda de casa, as contas de gás, electricidade e água, mercearia, etc.. No campo das despesas dispensáveis, estas são variáveis dependendo da situação de cada um. Para uns um serviço de Internet pode ser indispensável, para trabalhar a partir de casa, para outros o combustível para as deslocações para o trabalho ou o passe dos transportes públicos. O importante é ser-se bastante realista quanto ao que é estritamente necessário, e o que é acessório. Esta distinção é importante pois permite ter uma ideia não só do valor mínimo que precisamos para sobreviver mas acima de tudo para questionar alguns dos serviços e gastos que se podem ter sem consciência de que são dispensáveis e até que ponto podemos eliminar essas despesas. Trata-se de uma avaliação sobre os nossos hábitos de consumo, no fundo.

  • Definidas as despesas mensais, divididas entre o grupo das necessárias e das dispensáveis, convém ter consciência daquelas despesas que, não vencendo em ciclos mensais, mas a cada 3, 4, 6 ou 12 meses, acabam por se tornar surpresas desagradáveis que podem e devem ser tidas em conta. Este cálculo obriga a ter consciência de que o total de despesas mensais não é igual ao total de despesas anuais, obrigando-nos a precaver para estas situações criando uma categoria específica para isto.

  • Garantida a cobertura de despesas mensais e anuais, devemos atribuir uma percentagem dos nossos rendimentos para a poupança propriamente dita. Um dinheiro cujo único objectivo seja aumentar e acumular. Há quem fale em 10% do valor mensal dos rendimentos, há quem fale em 30%. O importante é que se crie o hábito de poupar esse valor todos os meses. Dentro desta categoria poderemos criar subcategorias como um Fundo de Emergência, para situações de desemprego, ou mudança de carreira por exemplo, ou um fundo de investimento de modo a que o nosso dinheiro faça mais dinheiro.
  • Convém, para se manter um orçamento realista e praticável, definir categorias para despesas do dia-a-dia, seja o dinheiro de bolso, para o café e o pastel de nata, jantar num restaurante, saídas à noite, etc.. Esta categoria está muito ligada aos consumos do quotidiano. Ao determinar um valor para este tipo de gastos, não só estamos a desenhar um orçamento mais realista, como também definimos tectos orçamentais para estas despesas.

Em suma, o primeiro passo consiste em ter consciência da situação actual, anotando o valor total que temos disponível, o rendimento e as despesas. O segundo passo consiste em categorizar as despesas agrupando-as em função do nível de necessidade e da regularidade com que surgem. Em terceiro lugar, definir um valor a poupar com regularidade mensal, abrindo caminho para a consolidação do mais importante hábito para se alcançar a independência financeira.

No próximo post apresentarei uma das ferramentas que uso para gerir o meu dinheiro, assim como regras adicionais que considero muito interessantes!

Até lá, boas poupanças!

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Gostei! Fico então à espera do terceiro post!

Muito obrigado. O próximo post sai quinta-feira.

Desculpe a demora. Já publiquei o terceiro post. Se estiver interessada. :)

Sim já li! Igualmente bom @martusamak!
Apesar de não ter paciência para anotar tudo, retive umas dicas interessantes!

Que bom! Achou o texto muito extenso? Estou aberto a críticas ;) No próximo post vou falar de disciplina e porque tendemos a gastar mais do que podemos. Tentarei fazer um post mais curto. Sai na terça-feira.