Epístola de Christine de Pizan a Isabel da Baviera, Rainha de França (Isabeau de Bavière)

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Olá pessoas! Tudo bom com vocês? Hoje trouxe uma tradução em que estive trabalhando para a minha dissertação. Como já está evidente no título é uma carta de Christine de Pizan para a Rainha da França. Se quiser saber um pouco mais sobre Christine acesse essa postagem aqui Mulheres escreviam na Idade Média? - #1.1 e também a segunda parte Mulheres escreviam na Idade Média? - #1.2. E então depois se quiser, fique com a tradução com versão em francês medieval, esse é o motivo do francês muitas vezes parecer estar errado. Espero que aproveite.

Língua PortuguesaFrancês Medieval
A Primeira Epístola à Rainha da FrançaLa premiere epistre, a la royne de France
Aqui começa o livro das epístolas do debate sobre o Roman de la Rose entre as pessoas ilustres: o prefeito (Preboste) de Lille, mestre Gontier Col; o mestre Pierre Col, seu irmão; e Christine de Pizan,Ci commence le livre des epistres du debat sus Le Rommant de la Rose entre notables personnes: Le prevost de Lille, maistre Gontier Col, maistre Pierre Col, son frere et Cristine de Pizan.
À excelentíssima, mais eminente e mais reverenciada princesa, minha senhora Isabel da Baviera, pela graça de Deus, rainha da França.A tres excellant, tres haulte et tres redoubtee princesse, ma dame Ysabel de Baviere, par la grace de Dieu royne de France.
Alteza, muito poderosa e venerada Senhora, eu humildemente vos dedico todo esta obra.Tres haulte, tres puissant et tres redoubtee dame, toute humble recommandacion mise avant tout œuvre.
E como eu tenho ouvido dizer que vossa Nobre Excelência se deleita em ouvir eloquentes obras sobre temas virtuosos que aumentam a virtude e os bons hábitos de vossa nobre pessoa.Et comme j’aye entendu que vostre Tres Noble Excellence se delicte a oïr lire dictiéz de choses vertueuses et bien dites⎯laquelle chose est accroiscement de vertus et de bonnes meurs a vostre noble personne,
(pois, como um sábio disse: “De virtude com virtude, de sabedoria com nobreza tornam uma pessoa reverenciável” o que pode ser entendido por “alcançar a perfeição moral e espiritual”) ⎯, e, minha venerada senhora, desde que tais virtudes são encontradas em vosso nobre entendimento, é adequado que obras notáveis lhe sejam apresentadas, como convém a uma soberana.car si comme dit un sage: «Vertus avec vertus, sagece avec noblece rendent la personne reverend» (qui puet estre entendue parfaite) —, et, ma tres redoubtee, pour ce que tele vertu est trouvee en vostre noble entendement, est chose convenable que dictiéz de choses esleues vous soient presentéz comme a souveraine.
Sendo assim, eu, simples e inculta entre as mulheres, vossa humilde dama de companhia ao seu comando — estou ansiosa para atendê-la e ser digna da confiança de vossa humildade benevolente, estou motivada [movida, inclinada] a enviar-vos estas epístolas que seguem, as quais, minha venerada Senhora — se vos agrada me honrar tanto a ponto de ouvi-las, observarás a diligência, o desejo e a vontade, que mesmo com meu escasso poder, me defendo tanto quanto possível contra certas opiniões que vão contra a honestidade, e também para apoiar a honra e o louvor das mulheres (que muitos clérigos e outros têm se esforçado para menosprezar através de seus escritos - algo que não deve ser tolerado nem suportado).Pour tant, moy simple et ignorant entre les femmes, vostre humble chamberiere soubz vostre obeissance, desireuse de vous servir se tant valoye en la confiance de vostre benigne humilité, suis meue a vous envoyer les presentes epistres, esquieulx, ma tres redoubtee dame — s’il vous plaist moy tant honnorer que ouyr les daigniéz —, pourréz entendre la diligence, desir et voulenté ou ma petite puissance s’estent a soustenir par deffenses veritables contre aucunes oppinions a honnesteté contraires, et aussi l’onneur et louenge des femmes (laquelle pluseurs cleres et autres se sont efforciéz par leurs dictiéz d’amenuisier, qui n’est chose loisible a souffrir ne soustenir).
E por mais fraca que seja minha posição ao pronunciar tais acusações contra mestres tão habilidosos, sou motivada pela verdade. Assim, minha inteligência limitada deseja continuar a tornar-se útil, como já fiz em alguns dos meus outros poemas, debatendo seus argumentos e acusações, embora esteja plenamente consciente de que eles têm o direito de se defender.Et combien que foible soye pour porter tel charge contre si soubtilz maistres, non obstant ce, comme de verité meue — ainsi comme je sçay de certaine science leur bon droit estre digne de deffence —, mon petit entendement a voulu et veult soy emploier, come ycy appert et en autres miens dictiéz, a debatre leurs contraires et accusans.
Eu suplico humildimente, à Vossa Digníssima Alteza que apoie meus legítimos argumentos, mesmo que eu não saiba como desenvolvê-los e executá-los em tão bela linguagem quanto outros poderiam, mas com vosso favorecimento permita-me dizer mais sobre esse assunto.Si suppli humblement Vostre Digne Haultece que a mes raisons droiturieres, non obstant que ne les sache conduire et mener par si beau lengage comme autre mieulx le feroit, y vueillez adjouster foy et donner faveur de plus dire se plus y sçay.
E que tudo isso seja feito com vossa sábia e benevolente aprovação.Et tout soit fait vostre saige et benigne correction.
Minha mais nobre, excelentíssima e venerada Senhora, eu rezo para que a verdadeira Trindade lhe conceda uma boa e longa vida, juntamente com a realização de todos os vossos bons desejos.Tres haulte et tres excellant, ma tres redoubtee dame, je pry la vraye Trinité que vous octroit bonne vie et longue, et acomplissement de tous voz bons desirs.
Escrito na véspera de Candelárias , no ano de 1401.Escript la veille de la Chandeleur, l’an mil •IIII• et ung.
Vossa serva mais humilde e totalmente dedicada,La toute vostre tres humble creature,
Christine de PizanCristine de Pizan

Divis Bolhas-col

Fontes

  • The British Library | Harley MS 4431 | Manuscrito da Rainha

  • PIZAN, Christine de. et al. Debate of the Romance of the Rose: The Other Voice in Early Modern Europe. Edited and Translated by David F. Hult. Chicago & London: University of Chicago Press, 2010.

  • MCWEBB, Christine. (Ed.) Debating the Roman de la rose: A Critical Anthology. Introduction and Latin translations by Earl Jeffrey Richards. New York & London: Routledge, 2011.

  • WARD, Charles Frederick. The Epistles on the Romance of the Rose and Other Documents in the Debate. University Microfilms, Dissertation, 117 pages, 1911.

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Agradeço sua dedicação na leitura.
Te desejo uma excelente semana e volte quando quiser!

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