Duofel: música cinematográfica, e 40 bilhões de km de estrada cósmica!

in pt •  18 days ago

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Fernando Melo e Luiz Bueno em figurino alusivo aos 40 anos de estrada (Fonte: divulgação)



Ontem, por dois eventos do Festival Assad 2018 – segunda edição, sobre o qual escrevi aqui, realizei um antigo sonho: conhecer bem de perto o trabalho do genial Duofel pelo qual eu já havia trafegado mas somente através de gravações (CDs, DVDs, e vídeos na internet).

Você conhece a obra deste incrível duo de violonistas brasileiros que, sem nenhum estudo formal em Música, faz um som instrumental incrível e que em 2018 completa 40 anos de estrada?

Oficina e Concerto

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Fernando Melo e Luiz Bueno, do Duofel, na oficina (arquivo pessoal)

Logo na manhã de domingo, 2 de setembro, das 10 h às 12 h, o Duofel nos brindou com uma oficina no CLAC – Centro Livre de Arte e Cultura.

Foi demais ver/ouvir Fernando Melo e Luiz Bueno, ídolos, logo ali na minha frente! E poder conversar com eles que, generosamente, estavam lá para compartilhar ideias e nos brindar com um suave som acústico dos seus violões desplugados.

Enquanto Fernando contava a sua história pessoal, Luiz fez uma live no Facebook. E logo em seguida, em sua fala, referindo-se à longevidade do trabalho do Duofel, disse algo muito sério que, em minha memória, registrei mais ou menos assim:

“Todo mundo tem um talento especial. Quando você descobre esse talento e o compartilha com os outros, não tem erro. O Universo conspira em seu favor. E tudo sempre vai dar certo”.



Observação prá lá de perfeita! Nascemos para compartilhar o que temos de melhor! Sempre acreditei nisso! E o Física na veia! surfa bem nesta onda do compartilhar!

Eles, músicos, comprovam a tese acima ao compartilharem conosco há quatro décadas uma música hipnotizante que, pela variedade criativa de timbres e nuances harmônicas, vai passando por diversos cenários e, de carona, nos levando para deliciosas viagens do primeiro ao último acorde de cada peça. É isso que chamei lá no título de música "cinematográfica". O som do Duofel nos sugere imagens e cenários pelos quais vamos viajando. E não é um convite, é um delicioso sequestro!

E fica muito evidente que eles adoram o que fazem. Tanto que ao final da oficina Luiz sacou seu celular e fez uma selfie com os participantes que logo em seguida estava na fanpage do Duofel no Facebook.

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Selfie do Duofel com os oficineiros

Mas a grande viagem, o concerto, foi às 18 h no Theatro Municipal aqui em São João da Boa Vista. Fernando e Luiz, pilotando os seus instrumentos com a alegria de compartilhar o melhor do melhor que eles sabem fazer, bem diferente do clima intimista da oficina da manhã, ligaram as máquinas a pleno vapor e mandaram ver no som eletroacústico turbinado por pedaleiras que destacavam e amplificavam as nuances dos timbres dos violões de aço (Fernando) e de nylon (Luiz) tomando conta do espaço que virou fácil uma nave que nos levou longe. Experiência difícil de explicar em palavras! Só quem viu/viveu saberá do que estou falando!

E tem ainda um outro lado bom nesta história! A família de CDs do Duofel cresceu. E ganhou autógrafos!

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Três CDs e DVD que eu já tinha. E outros dois que adquiri. Agora devidamente autografados.

Uma outra viagem ao redor do Sol

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Quanto comecei a escrever este texto, lembrei-me de que nosso planeta, em sua outra viagem ao redor do Sol, percorre a sua órbita com uma velocidade média de 30 km/s. Parece loucura, mas não é! Estamos todos numa esfera de cerca de 12.000 km de diâmetro que rasga o espaço a incríveis 30 km/s, rapidez suficiente para ir de São Paulo ao Rio de Janeiro em meros 13 s!

E logo me veio à mente a ideia de calcular quantos quilômetros Fernando e Luiz já viajaram juntos com o Duofel em torno do Sol de carona com o "Pálido Ponto Azul", nosso planetinha. Coisa de físico, sabe como é?

A conta é simples. Aproximando a órbita elíptica da Terra ao redor do Sol para um circunferência, já que a excentricidade¹ é pequena, podemos estimar quantos quilômetros a Terra viaja ao redor da nossa estrela a cada ano. Basta lembra que o perímetro L de uma circunferência mede L = 2πr e aproximar π = 3,14 e usar o valor r = 150.000.000 km para o raio orbital. E teremos:

L = 2 . π . r = 2 . 3,14 . 150.106 = 942.106 km

Conclusão: a cada ano a Terra viaja cerca de 942 milhões de quilômetros em torno do Sol, quase 1 bilhão de quilômetros. Logo, em 40 anos de estrada, o Duofel já viajou quase 40 bilhões de quilômetros em torno da nossa estrela que, por orbitar o centro da nossa Galáxia, também viaja pelo Cosmos arrastando a Terra e todos os outros planetas! São 40 bilhões de quilômetros, somente no referencial do Sistema Solar, espalhando boa música e compartilhando ideias!

Para ver/ouvir

Ouça, a seguir, Espelho das Águas, uma das músicas apresentadas no concerto do Festival Assad, composição do Duofel e aqui gravada no programa Instrumental Sesc Brasil.



Veja/ouça também o arranjo originalíssimo para “Eleanor Rigby”, standard dos Beatles, também apresentada aqui no Festival.



Note, em ambas as músicas, o uso do Zigzum², uma haste de madeira que, atritada na corda do violão, produz um timbre semelhante ao dos instrumentos de arco (violino, viola, violoncelo). Em” Eleanor Rigby” o Fernando Melo também usa um arco de rabeca.

Se quiser saber mais sobre o Duofel, veja entrevista concedida para a jornalista Patrícia Palumbo que comanda o Instrumental Sesc Brasil em janeiro de 2015.


E, a seguir, o concerto para o Instrumental Sesc Brasil.




Abraço do prof. Dulcidio. E Física (e boa Música) na veia!






¹ Excentricidade é um parâmetro que mede o quanto uma elipse é excêntrica, ou seja, quão oval ela é. A excentricidade orbital de uma circunferência é zero (e = 0). A excentricidade da órbita solar da Terra mede apenas e = 0,0167. Logo, trata-se de uma órbita ligeiramente oval, mas quase circular.

² Inventando pelo irmão do Paulinho Nogueira, célebre violonista brasileiro, o Zigzum foi parar nas mãos do Duofel e ganhou vida no universo de timbres da dupla. Para gerar um melhor atrito, importante para fazer a corda vibrar, a madeira do Zigzum sempre recebe uma camada de breu, uma resina também usada em arcos de violino, viola e violoncelo.

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Vi eles este ano na sala do conservatório aqui em Sampa, junto ao Quarteto de Cordas da cidade. Foi um showzasso!

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Vendo-os tocar, bem de perto como eu vi, fica muito claro que eles têm uma técnica muito própria e diferente, às vezes até contraditória à técnica erudita com a qual nos acostumamos. Mas o resultado sonoro final é incrível. E é isso que, de fato, importa!
No palco, com a pedaleira e os captadores "nervosos", os timbres ficam lindos e tudo funciona ainda melhor na proposta de arranjos do duo! E vira showzasso mesmo!
Abraço. E Física (e Música boa) na veia!

Esse dueto faz realmente uma música de qualidade!


ptgram power

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E ao vivo, no palco, a pegada é ainda mais incrível!
Obrigado pelo comentário @biogirl!
Abraço. E Física na veia!