A diferença entre ciência e filosofia, Will Durant | AudioTexto | Voz Humana

in pt •  16 days ago

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Afinal, qual a diferença entre ciência e filosofia?

O que você ouvirá agora é um trecho do livro A HISTÓRIA DA FILOSOFIA, do filósofo, historiador e escritor estadunidense Will Durant. O livro pode ser encontrado na coleção Os Pensadores, da editora Nova Cultural. A narração a seguir é de Alysson Augusto.

Ouça ao audiotexto abaixo, e acompanhe a leitura adiante:


Transcrição do audiotexto:

A ciência parece estar sempre avançando, enquanto a filosofia parece estar sempre perdendo terreno. No entanto, isso só se deve ao fato de a filosofia aceitar a árdua e perigosa tarefa de lidar com problemas ainda não abertos aos métodos da ciência — problemas como o do bem e do mal, da beleza e da feiura, da ordem e da liberdade, da vida e da morte...; tão logo um campo de investigação gera conhecimento suscetível de uma formulação exata, é chamado de ciência.

Toda ciência começa como filosofia e acaba como arte; surge na hipótese e flui para a realização. Filosofia é uma interpretação hipotética do desconhecido (como na metafísica) ou do desconhecido de forma inexata (como na ética ou na filosofia política); é a trincheira adiantada no cerco à verdade. Ciência é o território capturado; e por detrás dele ficam as regiões seguras nas quais o conhecimento e a arte constroem o nosso mundo imperfeito e maravilhoso.

A filosofia parece estar parada, perplexa; mas isto é só porque ela deixa os frutos da vitória para suas filhas, as ciências, enquanto ela própria segue adiante, divinamente descontente, em direção ao incerto e ao inexplorado.

Devemos empregar linguagem mais técnica? Ciência é descrição analítica; filosofia é interpretação sintética. A ciência quer decompor o todo em partes, o organismo em órgãos, o obscuro em conhecido. Ela não procura conhecer os valores e as possibilidades ideais das coisas, nem o seu significado total e final; contenta-se em mostrar a sua realidade e a sua operação atuais, reduz resolutamente o seu foco, concentrando-o na natureza e no processo das coisas tais como são.

O cientista é tão imparcial quanto a natureza do poema de Turgenev: está tão interessado na perna de uma pulga quanto nos paroxismos criativos de um gênio. Mas o filósofo não se contenta em descrever o fato; quer averiguar a relação do fato com a experiência em geral e, com isso, chegar ao seu significado e ao seu valor; ele combina coisas numa síntese interpretativa; tenta montar, de maneira melhor do que antes, esse grande relógio que é o universo e que o cientista perquiridor desmontou analiticamente.

A ciência nos ensina a curar e a matar; reduz a taxa de mortalidade no varejo e depois nos mata por atacado na guerra; mas só a sabedoria — o desejo coordenado à luz de toda a experiência — pode nos dizer quando curar e quando matar.

Observar processos e construir meios é ciência; criticar e coordenar fins é filosofia; e porque hoje os nossos meios e instrumentos se multiplicaram além da nossa interpretação e da nossa síntese de ideais e fins, nossa vida está cheia de som e fúria, não significando coisa alguma... Porque um fato nada é exceto em relação ao desejo; não é completo, exceto em relação a um propósito e a um todo.

Ciência sem filosofia, fatos sem perspectiva e avaliação não podem nos salvar da devastação e do desespero. A ciência nos dá o conhecimento, mas só a filosofia pode nos dar a sabedoria.


E aí pessoal, gostaram da reflexão de hoje? O que vocês acharam? A demarcação poética que Will Durant faz entre ciência e filosofia é convincente o suficiente pra vocês? Ou será que ela tá incompleta ou, pior ainda, chega a estar inclusive errada?

Bom, eu não sei vocês, mas sempre me chamou atenção a relação simbiótica que a filosofia e a ciência costumam ter uma com a outra, que é uma relação de co-dependência. Por exemplo, pra justificar nossos pressupostos filosóficos, é sempre necessário, quando possível é claro, considerar os dados disponíveis da realidade. Da mesma forma, quando queremos dar sentido a esses dados coletados pelo método empírico próprio de fazer ciência, acabamos inevitavelmente buscando sua justificação na filosofia.

Enfim pessoal, se vocês gostaram desse papo, considerem apadrinhar este canal em nome da divulgação filosófica. Para fazer isso, acessem padrim.com.br/alysson e escolham uma forma de financiamento. Todo valor é super bem-vindo, tenham certeza disso.

Meu nome é Alysson Augusto e a gente se vê no próximo episódio, forte abraço!

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