#Filosofando | Pedir conselho a nossa “Morte”

in #filosofando2 years ago (edited)

Para mim a filosofia tem mais valor quando pode ser posta em prática de maneira eficaz. Os tratados filosóficos as vezes me parecem demasiadamente teóricos e abstratos, distanciados da realidade.

Talvez por isso eu tenha me afastado dela e me voltado para a literatura, através da qual acredito ser possível, em muitos casos, exprimir uma ideia de forma mais contundente e verdadeira, simplesmente contando uma história.

Quando eu era mais jovem, gostava muito de esoterismo e cheguei a ler diversos livros sobre o tema. Muita coisa ficou esquecida mas tem uma sacada filosófica que eu até hoje utilizo, e me ajuda bastante, a viver uma vida mais plena e feliz.

Tem a ver com aquela frase clichê: “Viva como se não houvesse amanhã”. O problema é que esta abordagem pode nos levar a inconsequência, no sentido de buscar realizar todos nossos sonhos e loucuras possíveis em um único dia e não se trata exatamente disso.

Para mim a ideia de que cada ato nosso nesta terra poderia ser o último, faz com que cada momento seja mais intenso e mais bem aproveitado, assim como venhamos a ter um senso de gratidão por tudo e por continuar existindo.

O único porém é que essa consciência deve ser de forma leve, sem morbidez ou obsessão, pois a ideia da morte pode gerar o pânico e descontrole em algumas pessoas.

Proponho um exercício filosófico-prático: Toda vez que você sentir que tudo está errado, quando você está se sentindo para baixo, deprimido, desanimado, sem energia, tente imaginar que a “sua morte” está atrás de você, então você pode se virar para ela e perguntar se aquele sentimento é realmente verdadeiro.

A morte lhe dirá que você está errado e que nada realmente importa a não ser que ela te leve. Ela vai te responder: “Nada está perdido, pois ainda não te toquei”. Na mesma hora você vai se sentir melhor e vai fluir pelo teu corpo um novo fluxo de energia.

Em um universo em que nunca sabemos quando vamos morrer, não há espaço para dúvidas excessivas e remorsos. Só sobra tempo para tomarmos decisões. Nenhuma ação pode ser mais ou menos séria do que qualquer outra. Não existem decisões pequenas ou grandes, apenas decisões que você pode tomar em face da sua morte inevitável que poderá te tocar muito em breve.

Sendo assim devemos fazer todos os nossos atos contarem, já que ficaremos neste universo por muito pouco tempo, menos tempo do que gostaríamos para poder presenciar todas as suas maravilhas.

Com esta percepção, começamos a agir de maneira plena e correta, pois as consequências podem representar nossa ultima batalha sobre a terra. Neste estado de espírito nossos atos serão precisos e poderosos, e ao contrário, se nos sentimos imortais, ficamos entediados, pesados e desajeitados e enquanto vivermos, agiremos como tolos.

Nossas ações tem um estranho poder quando mantemos a consciência de que podem representar nossa última batalha. Há uma estranha felicidade em agir com o pleno conhecimento de que o que quer estejamos fazendo pode muito bem ser o nosso último momento de vida.

Assim tudo que experimentamos adquire um caráter mágico e emocionante, e em tudo conseguimos perceber uma beleza oculta, como se cada cena fosse uma despedida.

Normalmente na vida cotidiana, em muitos casos estamos entediados, ofendidos, com raiva e reclamando de alguém ou alguma coisa. Isto ocorre porque nos sentimos imortais e não utilizamos a “morte” como nossa conselheira.

Uma sábia conselheira que nos dirá que o mundo é estranho, admirável, estupendo, assombroso, misterioso e insondável e nos fará assumir com gratidão a responsabilidade por estar aqui, nesse planeta maravilhoso, nesse tempo maravilhoso.

É por isso que na mitologia os deuses imortais invejam os homens, pois sem esta consciência visceral eles vivem anestesiados através das eternidades e nunca podem experimentar todo o potencial de intensidade e felicidade que nós humanos, justamente por sermos mais frágeis e efêmeros, possuímos e temos acesso.

Este artigo faz parte da primeira edição do projeto #Filosofando criado por @joaoprobst

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parabéns, ótima reflexão, lembrei do filme "a sociedade dos poetas mortos", a vida deve ser vivida, carpe diem, mas viver sem medo da morte traz consequência, e daí a vida pode se tornar curta, e para conciliar isso gosto de citar Epicuro que pede equilíbrio entre as dores e os prazeres.

Parabéns, você está participando da edição 1 do Projeto #Filosofando, boa sorte!

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Realmente, um equilibrio entre estas duas concepções pode ser bastante proveitoso. Boa lembrança, tinha me esquecido desde filme.

Olá, nunca tinha pensado nisso, usar a morte como conselheira, é um bom exercício.
Realmente viver de forma desenfreada (como se não houvesse amanhã) pode trazer consequências ruins, é preciso saber ponderar e pensar nas ações que tomamos.

Sucesso sempre!

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Para mim funciona, mas para outros não, pois tem pessoas que ficam paralizadas se pensarem na possibilidade de morrer, então depende, e devemos buscar o que nos dá mais energia. Obrigado pelo comentário.

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Uau @pedrocanella, não havia pensado nesta possibilidade de pedir aconselhamento a nossa "morte". Contudo, apenas ela, tão somente ela, poderia nos explicar "a necessidade de nos levar" deste mundo, e passar a não existir...
E nós, tão somente nos, tentar descobrir e agradecer diariamente nossa existência, e qual a nossa missão aqui neste plano, antes de ir. Às vezes, uma conversa seria com ela, a "Morte", nos deixaria mais centrados, menos egocêntricos, e mais agradecidos pela vida, pq viver é maravilhoso, apenas nós, não valorizamos e não o fazemos sabiamente!!!

Obrigada pelo post tão sábio...