#FILMOTECA# - "Woman in Gold" | "A Dama Dourada" (2015)

in filmoteca •  14 days ago

Fonte: Divulgação (Coming Soon)

Sinopse: Década de 80. Maria Altmann é uma judia sobrevivente da Segunda Guerra Mundial que decide lutar contra o governo austríaco para recuperar diversas obras de arte que pertenciam à sua família e foram roubadas durante o confronto.

Todo filme que retrata a história dos judeus durante o massacre que foi a Segunda Guerra Mundial é emocionante por si só (não apenas pela história em si, mas também pela forma como são retratados os acontecimentos), mas poucos filmes conseguiram mudar, com tanta eficiência, o foco dentro dessa temática (que é realmente algo muito diferenciado, sendo digno de muitos debates) e ainda sim, continuar tão envolvente.

Fonte: Divulgação (Variety)

O foco do filme é colocar em discussão as obras de arte que foram saqueadas/roubadas das casas dos judeus, que em plena guerra, tiveram suas casas arrombadas e todos os seus objetos de valor (sejam eles com valores monetários já taxados, ou os que ainda poderiam, em um futuro próximo, - por alguma razão específica que muitos deles ainda desconheciam - ter um valor muito expressivo) roubados sem "a menor das cerimônias", antes que as milhares de famílias fossem presas e brutalmente humilhadas e / ou mortas.

A "guerra fria" que acontece no filme (que segue a linha dos dramas de tribunais, apesar do mesmo ser apenas um dos locais acessórios para consolidar o peso da narrativa) se dá entre uma judia (Helen Mirren em uma de suas melhores performances!) residente nos Estados Unidos que ao sentir-se lezada por ter uma importante parte da sua família "presas" nas mãos do governo da Áustria (uma famosa pintura de sua estimada tia, que agora é patrimônio cultural do país), decide procurar um advogado (Ryan Reinolds, meio apático em várias cenas... mas ainda sim, entrega um bom trabalho) para reaver a obra, que por sinal, não é a única.

Fonte: Divulgação (The Film Stage)

Esse é o cenário das batalhas judiciais e para todos os demais dramas que acontecem no filme. A linha narrativa do roteiro acertou em cheio ao trazer inúmeros "flashbacks" do passado de Alma (basicamente contando as partes mais importantes da história da personagem) e conectá-los com os acontecimentos do tempo presente. Essa conexão entre tempos distintos é o principal fio condutor para o ritmo do filme fluir tão bem, e gradativamente, cada vez mais forte em seu desenvolvimento.

Tudo conversa muito bem entre si: os personagens são complexos e tem muita intensidade (sejam pelas suas motivações particulares, ou pelo senso de justiça coletivo), o roteiro segue sempre evoluindo de maneira consistente (sem apresentar margens para cair em muito clichês e correr o risco de se tornar um dramalhão daqueles chatos de serem assistidos) e a produção é extremamente caprichada.

Fonte: Divulgação (Extra Movies)

Os cenários são incríveis (e os figurinos de época ajudam a complementar a atmosfera que é alma do projeto)... É praticamente um intercâmbio pelos diversos pontos turísticos mais importantes da Áustria, algo que sem dúvida faz o telespectador viajar em sair do lugar. A fotografia do filme é perspicaz em criar contra pontos muito importantes em relação aos dramas vivenciados pelos personagens e isso fortalece a narrativa de uma forma monstruosa porque tudo fica mais crível - se é que a história precisava disso, afinal, o fato realmente aconteceu - e o apelo emocional fica ainda mais latente e visível.

Simon Curtis tem uma pegada na direção bem firme e ele consegue amarrar todos os núcleos e suas respectivas histórias (de ambos os tempos) através de uma abordagem rica não apenas em conceitos visuais (porque existem ótimos planos sequências e também, muitos takes diferenciados para filmes que seguem esse gênero cinematográfico) mas principalmente pela sensibilidade em perceber todo o potencial dramático (e saber trabalhar muito bem com isso!) de um importante episódio histórico que ele tem em mãos.

Fonte: Divulgação (The Telegraph)

A Dama Dourada é o tipo de filme que te convida a refletir sobre um fatídico momento que ficou marcado na história mundial. Não é apenas "mais um filme", é uma forma que o cinema encontrou para exercer o direito dos judeus de terem a chance de ter um pouco da sua essência traumática retratada de uma forma tão cuidadosa e fiel (apesar do american save us all, que é de longe, a parte mais incômoda do filme).

Authors get paid when people like you upvote their post.
If you enjoyed what you read here, create your account today and start earning FREE STEEM!