#FILMOTECA# - "Mirai" | "Mirai no Mirai" (2018)

in filmoteca •  2 months ago

Fonte: Divulgação (Animystic)

Sinopse: Após a chegada da sua irmã mais nova, Mirai, o jovem Kun tem a sua infância "ameaçada" pela falta de atenção dos pais e acaba se refugiando em um fantástico e inimaginável mundo que ele descobre nos fundos do jardim de casa.

Acredito que sentir ciúmes seja uma "característica" inerente a todos os seres humanos... O que difere, é o nível do ciúme. Quem nunca, em algum momento da vida, nunca quis uma atenção direcionada para si mesmo? Isso infla o ego (seja de crianças, adultos ou idosos) e aparentemente parece nos fazer bem. Mas na realidade, as coisas não funcionam exatamente assim, não é? Mirai é basicamente sobre isso, até onde a "síndrome do egoísmo" é capaz de chegar e sobre o que ela é capaz de despertar.

Fonte: Divulgação (Nation Multimedia)

A produção japonesa (indicada ao Oscar de Melhor Animação) é sutil e contida. Transita entre três momentos diferentes (que se misturam): o presente, o passado e o plano metafísico. Isso tudo é possível por causa dos segredos escondidos pelo jardim da casa do garoto Kun, que vê nele, a sua única saída para uma realidade que atualmente o desagrada. É quase como uma representação bem moldada da vida em seus altos e baixos, com suas alegrias e tristezas.

Mirai representa para Kun, uma ameaçada constante. É por causa dela que seus pais acabam "negligenciando-o"... Então, desprendendo toda à sua atenção para ela, Kun se revolta e mergulha no novo mundo recém descoberto no jardim. Lá chegando, ele começa a viver experiências fantásticas, sendo a principal delas os encontros que ele tem com seus parentes em diferentes momentos da vida: o bisavô no alto da sua juventude, a mãe quando criança e a irmã Mirai em sua fase adolescente.

Fonte: Divulgação (Otaku USA Magazine)

Todos esses "embates" são o combustível necessário para que Kun repense seus atos e descubra a sua própria história. Mas a jornada até esse ponto é bem desafiadora e relativamente longa (porque o filme perde às vezes perde a linha e ficando girando em torno de si mesmo... até se encontrar novamente), principalmente pelo fato de uma boa parte do filme se passar apenas na casa dele (criando uma espécie de barreira com o mundo exterior)... Algo que de certa forma limita a visão dele sobre todas as possibilidades que estão lá fora, "longe" dele.

O roteiro investe em um personagem relativamente chato (sim, Kun é criança mimada e cheia de si e muito dependente dos seus pais), mas que curiosamente não torna o filme em uma experiência chata (aliás, está bem longe disso). Apesar do protagonista ser - por diversas vezes - bem amargo, o filme consegue torná-lo compreensível aos olhos do público em virtude de suas motivações internas. Mesmo que ainda inaceitáveis, suas atitudes são o reflexo de uma criança insegurança (e talvez até assustada) que coloca em dúvida o amor dos próprios pais mediante à chegada de outra pessoa que não seja ele mesmo.

Fonte: Divulgação (Dream Animes)

Kun precisa aprender que o mundo não gira ao seu redor e é justamente a pequena e inocente Mirai a grande responsável pelos primeiros passos do irmão na direção do seu auto conhecimento. É quase como um segundo corte umbilical que ele precisa enfrentar, e depois isso, aprender a engatinhar, se levantar e depois aprender a caminhar novamente... Mas dessa vez, com uma outra visão dele mesmo (menos teimoso e também, menos egoísta), que ao se deparar com o mundo real, fora de sua bolha, percebe o quão feia e diferente é aquela realidade que ele precisa enfrentar.

Dirigido por Mamoru Hosoda com uma singeleza de detalhes (característico do cinema oriental) e um olhar bem específico para questões pontuais, o filme ainda apresenta um cenário extremamente atual: onde o pai não é o provedor mor do lar (tenso até, em alguns momentos, muita omissão em suas ações) e cabe a mulher ser a chefe da casa. Uma inversão de papéis que provoca uma boa reflexão, que aliada a todas as outras reflexões despertadas pelo filme, alimentam as nuances tão bem definidas desse projeto.

Fonte: Divulgação (IMDb)

Visualmente, Mirai é um trabalho muito bonito e recheado de detalhes técnicos que são um deleite para os olhos (dentre eles, uma ótima mixagem de som, edição de cenas que se complementam e uma paleta de cores muito bonita com desenhos estilizados)... Mas a narrativa que gira sobre a perda da soberania e amadurecimento de Kun (ainda que demonstre a ele e ao telespectador que a vida é feita de ciclos), tem um ritmo meio lento que pode não agradar a todos.

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