Esperança
Entre os gritos de seus pais, já a beira do divórcio estava ela. Braços finos,pernas curtas, vestido rosa bebê. As lágrimas em seu rosto disfarçavam tamanha formosura. Através da janela a vi durante minha vida inteira. As segundas feiras traziam para seu peito a sensação de que talvez,apenas talvez esta nova semana pudesse ser diferente. Mas por ser privada da melhor coisa do mundo,o amor, seu olhar se tornou vazio, e aquela segunda se tornou apenas mais um dia. A garota resolveu então tentar ir para o infinito,o vazio para o indeterminado. Suas mãos de cerâmica abriam a janela como um pintor cria sua obra. Seu cabelo era empurrado pelo vendo enquanto a mesma dava o primeiro passo para a inexistência. Sua boca agora mais quente do que nunca se tornava cada vez mais fria, mais um passo é alcançaria o fim. Mas por algum motivo que não lhe foi dito ainda não era a hora. Enquanto caia ou como a mesma diria, enquanto voava rumo ao chão,desesperada eu corria a seu encontro, e seu corpo encontrou o meu. Finalmente perguntei o porquê de ter me abandonado, e com o pouco de vida que ainda lhe restava a mesma respondeu : Quem é você? Sou quem esteve contigo quando desacreditou, sou quem te fez pensar que em um mundo tão ruim eu ainda possa existir, respondi. A menina ainda confusa, pergunta desta vez qual o meu nome. Sou a esperança.
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