Estava no twitter comentando o caso Adélio Bispo. Que até hoje o presidente Jair ...
... Bolsonaro, e seus fieis seguidores, acreditam em uma conspiração.
Uma não, algumas muitas. Conspirações inerentes da necessidade humana de dar sentido as coisas do mundo. Potencializada pelo "phatos" de cada um.
E que gera questões entre os limites da avaliação dos valores e caráter individual e o que uma doença mental pode levar alguém a fazer...
Adélio foi avaliado por diferentes psiquiátras a pedido da acusação e defesa.
E não houve muita dificuldade em concluir o diagnóstico que hoje é reconhecido pelo DSM -V e CID-10(principais nosologias diagnósticas atuais) como Transtorno Delirante Persistente.
Que até então, fazia parte do campo de estudo da clínica das paranoias.
Os delírios e alucinações preenchem o imaginário da pessoa em sofrimento psíquico, impõe um sentido, um sentido que a racionalidade de quem sofre, é submetida à um racional mórbido. A verdade do pensamento psicótico, não se submete, sem tratamento, a nenhum argumento. Só existe uma direção a seguir, a construção delirante.
Não há um espaço de subjetivação, de incertezas.
O mundo passa a ser um perigo iminente, e o livre arbítrio, se há livre arbítrio para o ser humano, evapora.
Aqui já se avança a tênue linha entre o "phatos" e patológico.
A saúde pública lida com esses casos todos os dias. E sem a mesma, como sinalizava Foucault, as prisões serão os novos manicômios.
Esse não é um saber atual, vem sendo elaborado desde Pinel e Esquirol no século XVIII e XIX. E descartá-lo, ou não compreender que existe um saber sobre a loucura, e que ela faz parte da nossa humanidade ao nível institucional, sinaliza o atraso cultural que enfrentamos, e que iremos enfrentar por muitos e muitos anos.
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