#FILMOTECA - Terror na Ópera (1987)
Ópera e terror combinam? Aparentemente, sim. Terror na Ópera nos leva aos sufocantes assassinatos que ocorrem na estreia da ópera Macbeth, apresentando uma perseguição angustiante.
Direção: Dario Argento | Gênero: Terror, Suspense, Giallo
Ano: 1987 | Nota no IMDB: 7,1/10
ESSE TEXTO CONTÉM ALGUMAS INFORMAÇÕES QUE PODEM SER INTERPRETADAS COMO SPOILERS (apesar de eu ter evitado colocar as partes vitais da trama)
Nesse grande filme do diretor italiano Dario Argento, a trama se desenvolve na estreia de uma ópera na Itália. A estrela da ópera, a impaciente Cercova, sofre um acidente e precisa ser substituída pela soprano protagonista do filme, Betty, que interpreta Lady Macbeth. A primeira apresentação da ópera, apesar da superstição de que Macbeth é ópera amaldiçoada, é um sucesso e todos aceitam bem a performance de Betty. No entanto, ocorrem coisas estranhas longe dos palcos: uma pessoa é assassinada e equipamento de iluminação cai do alto do teatro perto do público. A partir daí, começa o suspense.
O diretor da ópera, Marco, é um antigo diretor de filmes de terror, assim como Argento, e parece ficar bastante interessado nos fatos que vêm ocorrendo. Muitos atribuem o assassinato à maldição da ópera. O que se verifica é que há uma perseguição à soprano Betty, peça principal da ópera. A perseguição rende mais assassinatos misteriosos que o criminoso faz questão de forçar a soprano a assistir, mas que não passam nem perto de revelar a verdadeira identidade do assassino.
A tensão produzida pela perseguição tem o poder de prender o telespectador ao filme. A película inicia um pouco lenta, adquirindo mais velocidade e energia a partir da primeira meia-hora. Conforme aumenta a interação com o assassino e o mistério de sua identidade, a trama se torna mais atrativa. Dario Argento soube criar cenas incríveis de morte, apesar daquela cor de sangue não tão realista do cinema da época.
Argento baseou o filme na sua experiência dirigindo uma produção de Macbeth que falhou, sendo que o personagem Marco, o diretor da ópera, foi baseado no próprio Argento. No filme, há uma cena em que o assassino coloca pequenos pregos presos abaixo do olho da pessoa (como na imagem seguinte) para que ela não fechasse os olhos diante do assassinato; isso viria de uma brincadeira de Argento, que dizia se incomodar quando as pessoas olhavam para outro lado ou fechavam os olhos durante as cenas assustadoras dos seus filmes. O filme foi um dos maiores sucessos comerciais de Argento, embora não tenha deixado um legado tão forte como outros dele.
Em questão de estilo, bom, este giallo(gênero de suspense policial italiano) é um filme de Argento. Suas marcas estão todas ali: uma trilha sonora marcante, cores destacadas e aquele clima aterrador noturno de perseguição por parte de um assassino misterioso, tudo está ali. A maior parte da trilha sonora é composta de ópera, que tem como contraponto em algumas cenas de perseguição trechos de heavy metal. Parte da trilha foi composta pelo aclamado Brian Eno. Quando toca a ópera, ela ressoa bem com os ambientes das salas, dos prédios, todos estes bastante clássicos, cheios de estátuas e detalhes de refinado gosto.
Visualmente, como mencionado, as cores clássicas de Argento dão as caras. Apesar de essas cores neon não surgirem tão evidentes como em Suspiria (1977), elas estão lá e são um bom adicional para alguns cenários mais escuros, criando um ambiente bem ao estilo conhecido do diretor. Há tomadas em que o movimento de câmera é magistral, perfeito; o enquadre é sublime, a música apropriada e as luzes e cores mais do que adequadas para proporcionar o clima desejado nesse tipo de obra. Também há um uso interessante de animais. Assim como em Suspiria, Phenomena e Inferno, filmes anteriores a Opera – cito-os de cabeça, pode ser que em outros também houve uso desse recurso –, os animais protagonizam alguns momentos do filme. Se em Suspiria havia um cão, em Phenomena insetos e em Inferno ratos, em Opera são os corvos que cumprem muito bem o papel de encarnar um aspecto sinistro e devorador da natureza.
Apesar de um pouco lento no começo, o filme se torna, a meu ver, um grande giallo, repleto de suspense e tensão. As atuações, em geral, não se destacam muito, mas também não prejudicam o andamento do filme. Algumas cenas são fortes, agonizantes, o que é um ponto positivo para o gênero. Filme bastante recomendado a quem gosta de mistério, assassinos e tensão de perseguição.
Referências
Fonte 1
Fonte 2
Imagem 1 e 2
Imagem 3

Dario Argento é um diretor com um filmografia - ao menos na minha opinião - bem irregular, mas "Terror na Ópera" é um dos melhores acertos dele (o clima de tensão é excelente).
O que eu vi dele, gostei. Com exceção de um mais novo que foi mais da filha dele. Ele é muito influenciado pelo gênero giallo, mas eu prefiro quando tem mais ambientação de horror. Os mais recentes dele eu não cheguei a ver, mas os antigos que vi me agradaram bastante.
Eu não esperava muito desse Opera, mas a surpresa foi excelente!
Adorei a resenha, e já vim pensando no Fantasma da Ópera como um indicativo de que é sim possível terror na ópera.
O que me deixou incomodado foram os pregos furando as pálpebras. Que coisa horrível. Quando um diretor coloca elementos bizarros assim em filmes, me pego pensando no quão sádico esse diretor pode estar representando a si mesmo em sua criação.
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Obrigado!
Essa cena me marcou muito. Na verdade eu gostei, gostei por ter me deixado incômodo. Tenho um certo problema com coisas sendo colocadas no olho. Uma vez fiz uma pequena cirurgia que envolvia isso e foi um verdadeiro inferno. Então aquela cena ali foi muito forte hahahaha
Mas, sim, o Dario Argento tem umas tiradas incríveis!
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